Exclusivo Pedro Simas: "Nunca houve vacinas tão seguras"

O virologista do Instituto Molecular da Universidade de Lisboa responde a três perguntas sobre as vacinas contra a covid-19 e fala em especial das duas inoculações que começam a ser administradas em Portugal - a das farmacêuticas Pfizer/BioNTech e Moderna.

Apesar da rapidez com que foram produzidas e que está a causar alguma desconfiança, as vacinas contra a covid-19 são seguras?
São seguras, e muito seguras. Nunca houve vacinas tão seguras porque são tecnologias novas. Foram muito rápidas e as pessoas têm muita desconfiança porque é que uma vacina foi tão rápida. Mas foi rápida porque já sabíamos que para estes vírus - coronavírus respiratórios - e pela experiência que temos com as vacinas contra animais domésticos que eram seguras e eficazes. São seguras porque houve um esforço global de toda a comunidade científica, académica e da indústria para produzir as vacinas. E foram rápidas porque também houve um esforço enorme a nível global para reduzir a burocracia e para, por exemplo, combinar os ensaios clínicos - de fase 2 e 3, que são as duas últimas - num só.

Existem várias vacinas disponíveis e com diferentes formas de administração. Porquê?
Porque são projetos diferentes, são tecnologias diferentes. Por exemplo, nas vacinas de RNA existem duas em que os RNA [ácido ribonucleico ou ARN, em português - uma molécula que imita o vírus] são ligeiramente diferentes e têm potências diferentes. Tem havido alguma insegurança pois as diferentes vacinas têm diferentes dosagens e processos diferentes de administração. Há uma primeira dose, há uma segunda dose, há outras vacinas que só têm uma dose. O que determina a dosagem é o tipo de vacina e o seu fabricante. Por exemplo, a vacina da Pfizer tem duas doses e entre a primeira e segunda toma devem passar entre 21 a 42 dias, e na vacina da Moderna a diferença entre as tomas são 28 dias. Esta diferença foi determinada pelos ensaios clínicos de fase 1, 2 e 3 onde foi estabelecido o intervalo ótimo para proceder à vacinação. Ambas as vacinas são igualmente eficazes por respeitarem esses diferentes intervalos. No caso de outras vacinas, que são um pouco mais potentes na forma como expressam os antigénios - as proteínas, os "pedacinhos" dos vírus - como, por exemplo a vacina da AstraZeneca/Oxford até poderá ser dada apenas uma toma.

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