O Meu Diário das Emoções, uma forma divertida de pensar as emoções em pequenino

De forma pedagógica e didática, O Meu Diário das Emoções ajuda as crianças a escrever desejos, partilhar receios e segredos, mas também a ler.

Ajudar as crianças a perceber o que são as emoções e como lidar com elas sempre foi algo importante e que a pandemia tornou ainda mais. De forma pedagógica e didática, O Meu Diário das Emoções ajuda as crianças a escrever desejos, partilhar receios e segredos, mas também a ler. O livro de Catarina Raminhos e Ana Mota Veiga está indicado para crianças dos 7 aos 13 anos, no entanto, é possível começar a trabalhá-lo a partir dos cinco anos com o apoio de um adulto que ajude na parte da escrita.

Este livro - que está à venda por 12,50 euros com a compra do DN - é visto pelas autoras como uma ferramenta de trabalho com as crianças, mas também para educadores, pais, professores, tutores, quem lida com elas. "Achamos que é uma ferramenta porque a partir de um livro há o convite para se partilhar mais aquilo que se sente e exteriorizando as emoções é mais fácil trabalhá-las cá for por nós pais, que nem sempre conseguimos chegar ao que está no interior das nossas crianças.", explica Catarina Raminhos.

É constituído por duas partes, uma primeira de contextualização em que as crianças ficam a conhecer as emoções, como é que estas se revelam, aprendem que não existem emoções nem boas nem más e que todas elas cumprem uma função, as autoras até fazem uma espécie de cartão de cidadão "quase como uma identidade de cada uma delas." A segunda parte é a do preenchimento que funciona como um diário onde a criança se pode confrontar com aquilo que sente.

A necessidade de falar sobre as emoções vem da experiência de Catarina Raminhos e de Ana Mota Veiga como mães e desta segunda também como professora. As emoções estão muitas vezes relacionadas com o sucesso e o insucesso escolar e as aprendizagens em sala de aula não são adquiridas porque as crianças estão comprometidas do ponto de vista emocional e não sabem como lidar com o que sentem. "Em famílias que não há partilha, às vezes com histórias muito pesadas, em que cada um vive a sua própria história pesada, e por vezes com uma agressividade passiva, quando estão na sala de aula os seus pensamentos não estão ali nas matérias que são lecionadas.", diz Ana Mota Veiga.

Também adultos mostraram vontade de ter este livro como uma forma de aprender a lidar com as suas próprias emoções. Principalmente pessoas que pertencem a gerações mais antigas em que os sentimentos não eram algo de que se falava, "não havia este convite para conversar sobre as coisas e achámos engraçado que muitos adultos gostem do diário porque não trabalharam isso na altura certa, e a altura certa é o mais cedo possível."

Em conversa com o DN, as autoras contam que o diário foi pensado, escrito e finalizado antes da pandemia, mas esta acabou por validar a conversa sobre as emoções. Ana Mota Veiga, considera que "se desde cedo começarmos a trabalhar as emoções em casa e nas escolas vamos ter uma geração que cresce mais saudável do ponto de vista da saúde mental e que vai ser mais feliz." Catarina Raminhos acredita que este livro veio validar aquilo que é o propósito do livro e que faz ainda mais sentido agora "que tivemos de viver em estreita comunhão com os nossos medos, os nossos receios, as nossas angústias, com os nossos pais, com os nossos filhos, e todos precisamos de falar mais das nossas emoções."

Catarina Raminhos e Ana Mota Veiga têm recebido feedback muito positivo das pessoas que já têm o livro e muitas das mensagens que recebem são de leitores a contar que a partir da leitura e do preenchimento surgiram mais conversas em torno das emoções. "E isto era o nosso principal objetivo, que a partir do livro houvesse este convite e este à vontade para se falar mais sobre o que sentimos." Catarina Raminhos conta a experiência das suas duas filhas mais velhas com este diário que lhes permitiu ter menos pudor em relação às emoções e a coragem de não pensarem duas vezes antes de partilhar alguma coisa que sentem.

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