O caso de Anabela. Amputada por erro e morta pelo marido

Operação às varizes que resultou mal mudou a vida de Anabela em 2012. Mas indemnização de 400 mil euros dividiu o casal

Os médicos confundiram uma artéria com uma veia e foi assim que uma simples operação às varizes resultou na amputação de uma perna, no hospital Garcia de Orta, em Almada. O caso de Anabela Pereira, reformada por invalidez aos 38 anos, em 2012, invadiu as televisões na altura. Três anos depois, e tendo já recebido uma das maiores indemnizações por erro médico de sempre - cerca de 400 mil euros - Anabela viria a ser morta por asfixia na sua moradia na Charneca da Caparica (Almada). Amanhã o seu marido, Augusto Borges, acusado de a ter morto com as próprias mãos, vai ouvir a leitura da sentença pelos crimes de homicídio qualificado e violência doméstica agravada, no tribunal de Almada.

No quadro da tragédia familiar, o filho mais velho de Anabela, Fábio, com 21 anos, tentou o suicídio no sábado passado e acabou por ficar internado no Garcia de Orta, onde a mãe sofreu a amputação que haveria de mudar toda a vida da família, apurou o DN com fonte conhecedora do processo. Anabela deixou ainda outro filho, com 16 anos.

Anabela Pereira morreu aos 43 anos depois de ter sido, alegadamente, morta pelo marido no dia 6 de agosto de 2015, por ciúmes e problemas financeiros do alegado homicida.

Estavam separados

O homicídio teve lugar quando o casal já se encontrava separado. A separação aconteceu em março. Segundo fonte ligada ao caso, Anabela recebeu a indemnização do hospital e comprou a moradia sem que o marido tivesse visto um cêntimo. Entretanto, Augusto estava desempregado e tinha problemas financeiros constantes. Os ciúmes também poderão ter entrado na equação. Na véspera de ser morta Anabela tinha saído com um jovem com quem se encontrava e ficou coma sensação de estar a ser vigiada, adiantou a mesma fonte.

Também já havia no passado conjugal uma queixa da mulher por violência doméstica. Segundo a acusação do Ministério Público (MP) a que o DN teve acesso, Augusto já tinha tentado matar a mulher antes do dia que marcou a família.

Em outubro de 2014, o arguido estava na cozinha da moradia, na Charneca da Caparica, quando encostou Anabela à parede e a agarrou pelo braço, enquanto cerrava o punho com o objetivo de a atingir no rosto. Falhou. Acertou na parede, junto à face da mulher, do lado esquerdo. Mas quase um ano depois Augusto, que veio a confessar o crime às autoridades, não deixou margem para falhar. No dia 6 de agosto de 2015, pelas 11.00, quando os dois filhos do casal se encontravam no piso superior da moradia, a dormir, Augusto foi ter com a mulher e discutiu com ela. "Seguiu-a até à lavandaria e apertou-lhe o pescoço, com força, com o propósito de lhe tirar a vida", refere a acusação do MP. Anabela foi esganada e impedida de respirar, o que veio a causar a sua morte.

Filhos traumatizados

Aparentemente, nenhum dos filhos se apercebeu do que o pai estaria a fazer. Mas o filho mais velho nunca mais terá recuperado do trauma de perder a mãe por morte violenta. O filho mais novo ficou a cargo dos tios.

Augusto Borges, submetido a primeiro interrogatório judicial a 7 de agosto de 2015, foi submetido a prisão preventiva na cadeia de Setúbal pelo perigo de perturbação do inquérito e o de perturbação grave da ordem e tranquilidade públicas. Por despacho de 3 de fevereiro de 2016, a medida de coação foi mantida.

Várias testemunhas confirmaram que Augusto tinha por hábito gritar com a mulher e insultá-la. Um dos filhos do casal, o que se tentou suicidar no sábado passado, chegou a declarar, em termos genéricos, que os insultos eram mútuos.

Também foi ouvido o amigo de Anabela com quem ela saía ultimamente.

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