Novo máximo diário de mortes e mais 6702 casos de covid-19 nas últimas 24 horas

Nas últimas 24 horas, registaram-se mais 167 mortes, um novo máximo diário. Os números de internamento também continuam a subir. Nos hospitais portugueses, há agora 5165 doentes com covid-19, dos quais 664 estão em unidades de cuidados intensivos.

Portugal está a viver os piores dias da pandemia, com o aumento no número de mortes e de infeções por covid-19, que está a deixar os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) sob pressão, cada vez maior a cada dia que passa. Os dados do boletim epidemiológico da direção-Geral da Saúde (DGS) desta segunda-feira (18 de janeiro) indicam o agravamento da situação no país: registaram-se 167 óbitos e 6702 novos casos nas últimas 24 horas.

Com estes dados da DGS, o país assiste a mais um máximo diário de mortes, que supera o que foi reportado no sábado (166). No total, Portugal já registou mais de nove mil vítimas mortais (9028). Desde o início da pandemia de covid-19, foram confirmados 556 503 casos de infeção pelo SARS-CoV-2.

Os números dos internamentos também não dão tréguas. Regista-se um recorde de hospitalizações em 24 horas. Nunca tinha sido registado num dia um aumento de 276 doentes internados (face ao dia anterior).

Desta forma, Portugal ultrapassou esta segunda-feira a barreira dos 5000 internamentos. Há, neste momento, 5165 pessoas internadas, das quais 664 (mais 17 em relação a domingo), em unidades de cuidados intensivos.

O boletim epidemiológico da autoridade da saúde indica ainda que foram reportados mais 4660 casos de recuperação da doença em 24 horas. Há, no total, 411 589 recuperados.

Portugal tem, atualmente, 135 886 casos de covid-19 ativos (mais 1875 em comparação com a véspera).

As autoridades de saúde têm em vigilância 166 235 contactos, mais 5115 relativamente ao dia anterior.

Lisboa e Vale do Tejo continua a ser região mais afetada pela pandemia, com mais 2643 casos registados nas últimas horas (no total, soma agora 186 706). Logo a seguir está o Norte com mais 2109 diagnósticos de covid-19 (258 317).

Do total de novos casos, 1217 foram ainda registados no Centro, 258 no Alentejo, 239 no Algarve, 137 na Madeira e 99 nos Açores.

Relativamente às 167 mortes registadas nas últimas 24 horas, 70 ocorreram em Lisboa e Vale do Tejo, 42 na região Norte, 38 na região Centro, 14 no Alentejo e três na região do Algarve.

Os casos confirmados distribuem-se por todas as faixas etárias, situando-se entre os 20 e os 59 anos o registo de maior número de infeções.

Os dados da DGS indicam ainda que o vírus SARS-CoV-2 infetou 250 545 homens e 305 779 mulheres.

Entre as vítimas mortais, 4696 eram homens e 4332 mulheres.

O maior número de óbitos continua a concentrar-se nos idosos com mais de 80 anos, seguido da faixa etária entre os 70 e os 79 anos.

Do total de 9028 mortes relacionadas com a covid-19, 6082 atingiram pessoas com mais de 80 anos, 1841 com idades entre os 80 e os 70 anos e 757 tinham entre os 60 e os 69 anos.

Portugal é o país do mundo com maior número de novos casos por milhão de habitantes

O agravamento da pandemia também está refletida na base de dados Our World In Data. Portugal é hoje o país do mundo com maior número de novos casos de infeção pelo novo coronavírus por milhão de habitantes, de acordo com este site.

Com algumas variações, o país é o único no mundo com mais de mil casos por milhão de habitantes na média dos últimos sete dias, segundo o Our World in Data (1018 casos), da Universidade de Oxford, e o português Eyedata (1014 casos), com dados atualizados no domingo.

Em termos de casos totais por milhão de habitantes, Portugal surge em 20.º lugar com 53,9 numa lista em que os pequenos territórios como Andorra, Montenegro ou San Marino surgem à cabeça, antes de o primeiro país de grande dimensão, os Estados Unidos, que figura em sexto lugar, com 72,3 casos por milhão.

No Our World in Data, Portugal surge em segundo lugar no número de mortes por milhão de habitantes nos últimos sete dias (14,9), só superado pela Eslovénia (19,2).

O Eyedata, que contabiliza o número de mortes por milhão desde o início da pandemia, coloca Portugal (866 por milhão), no 30.º lugar desta lista liderada de longe pela Bélgica, com 1.770 mortes por milhão de habitantes atribuídas à covid-19, e pela Eslovénia, com 1.523.

O "grito de alerta pelos doentes" da Ordem dos Médicos

Os dados atualizados da DGS desta segunda-feira surgem no dia em que a Ordem dos Médicos dá um "grito de alerta pelos doentes".

O gabinete de crise para a covid-19 da estrutura que representa os médicos, em comunicado enviado às redações, renova 10 propostas urgentes para "proteger os doentes, os profissionais de saúde, toda a população portuguesa".

Entre as propostas, a Ordem dos Médicos indica a necessidade de "adotar sem reservas e com a maior brevidade" um confinamento geral semelhante ao de março do ano passado.

"É emergente esmagar a transmissão na comunidade. Dada a evolução atual da pandemia, precisamos de atuar agora com todos os meios para ter resultados consistentes daqui a duas semanas. Ninguém pode continuar, por más decisões políticas, a tolerar a morte silenciosa de quem não consegue gritar", lê-se na nota.

Com o país em estado de emergência e em confinamento, estando a viver-se uma situação dramática no SNS, ficou agendada para esta segunda-feira um Conselho de Ministros extraordinário para aprovar novas e mais restritivas medidas. O objetivo é conter a propagação da covid-19 no nosso país.

"Nunca vi tantas pessoas morrerem num só turno de 12 horas", diz médico e deputado do PSD

É um "cenário é de guerra e estamos a perder", escreveu o deputado do PSD, Ricardo Baptista Leite, num testemunho que deixou nas redes sociais depois de ter estado "como médico voluntário" nas urgências do Hospital de Cascais, no passado sábado, durante um fim de semana em que os portugueses viram chocados as imagens de filas de ambulâncias em alguns hospitais do país. Baptista Leite esteve mais concretamente no espaço que dá resposta aos doentes e suspeitos covid-19.

"Nunca vi tantas pessoas morrerem num só turno de 12 horas", escreveu sobre o que viu no chamado "Covidário". No vídeo de curta duração que acompanha a publicação, enfatiza. "Nunca vi tantas mortes, na minha vida profissional, num tão curto espaço de tempo," como naquele dia.

Escreve que o "cenário é de guerra e estamos a perder". "É de facto demolidor ver médicos a terem que decidir, priorizar, quem são os doentes que vão ter acesso a ventilação e quem não vai", diz de viva voz na mensagem em vídeo.

"A determinar no fundo quem vive e quem morre porque não há camas de intensivos, escasseiam vagas de internamento", enumera. "Muitas vezes temos de intubar os doentes em pleno serviço de urgência", relata.

Quase 95 milhões de pessoas já foram infetadas em todo o mundo

Aliás, a pandemia de covid-19 não tem dado tréguas a nível global. Quase 95 milhões de pessoas foram infetadas pelo novo coronavírus em todo o mundo desde que o SARS-CoV-2 foi identificado na China em dezembro de 2019, indica um balanço até às 11:00 de hoje da agência France-Presse.

Pelo menos 2 031 048 pessoas morreram e mais de 94 964 590 foram contagiadas, das quais 57 817 100 já foram consideradas curadas, desde o início da pandemia.

Os Estados Unidos são o país mais afetado tanto em número de mortes como em casos, com 397 600 mortes em 23 937 332 casos registados, de acordo com a contagem da universidade Johns Hopkins.

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