"Não é o nome Francisco, é Portugal que se candidata"

Ministérios da Saúde e dos Negócios Estrangeiros propõem diretor-geral da Saúde para representar o país na Organização Mundial da Saúde. Será o primeiro português em nove anos

Entrou na casa dos portugueses quando se temeu a gripe A e durante a crise de legionela em Vila Franca de Xira. Francisco George, que deu a conhecer a saúde pública, poderá a partir de setembro - altura da eleição - ser o representante de Portugal no conselho executivo da Organização Mundial de Saúde (OMS), uma das mais importantes a nível internacional. A carta a propor o nome do diretor-geral da Saúde, assinada pelos ministros da Saúde e dos Negócios Estrangeiros, já foi enviada à diretora da região Europa da OMS. Se Portugal for eleito, Francisco George será o primeiro representante português em nove anos no conselho executivo em Genebra.

O conselho executivo é uma das estruturas mais importantes da OMS. É o semelhante ao Conselho de Segurança da ONU. Integra 34 países e tem a cargo a gestão e a orientação da OMS na sua política para todo o mundo. Todos os anos um terço das vagas vão a votação e neste ano há uma que tem de ser ocupada por um país da região Europa à qual Portugal, tal como outros países, está a candidatar-se. O mandato é de três anos: 2017--2020. A eleição está marcada para setembro, mas internamente a escolha do representante de Portugal começou no mês passado.

"A experiência do Dr. Francisco George é um importante ativo para o conselho executivo e para a OMS. A sua escolha irá reformar o compromisso e cooperação de Portugal. Os conhecimentos de Dr. George, juntamente com a capacidade e experiência de Portugal na resposta a emergências, será um importante ativo nas capacidades técnicas da OMS", refere a carta assinada pelo ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, enviada no início do mês à diretora da região Europa da OMS.

Um e-mail para os filhos

Francisco George arranca tímido quando questionado sobre o tema. "Confirmo a candidatura com o meu nome apresentada às eleições marcadas para setembro", diz ao DN. A reserva reforça a cautela que quer transmitir: "É uma candidatura, não sabemos se será conseguida. Há outros concorrentes muito fortes", diz ao DN.

Tenta desviar a conversa do lado mais pessoal, do que significa esta escolha. Coloca-a como o percurso natural. "De certa forma há uma grande ligação entre a OMS e a Direção-Geral da Saúde porque são organizações que tratam dos grandes programas de saúde", salienta, para dizer: "Não é o nome Francisco, é Portugal que se candidata. A minha vida tem sido marcada pelo serviço nacional, mas também pela OMS e pela União Europeia. São marcos da minha vida dedicada ao serviço público", diz o diretor-geral da Saúde.

As primeiras a saber que era o escolhido para representar Portugal foram as subdiretoras gerais, Graça Freitas e Catarina Sena. Anunciou depois a outros colegas. À família? Um e-mail em vez de um telefonema. "Mandei-lhes o processo de candidatura. Foi um e-mail para o meu filho e para a minha filha, que é enfermeira. O dossiê é mais concreto e mostra a complexidade do processo. Hesitei muito em contar porque é uma candidatura e ainda vai a votos", conta.

Nove anos depois

Se for eleito, Francisco George inicia funções em janeiro de 2017 e o cargo compatível com o de diretor-geral da Saúde. Por norma, o conselho executivo reúne-se quatro vezes por ano e as viagens a Genebra para os encontros não costumam ser superiores a cinco dias.

Portugal já esteve representado no conselho executivo da OMS por três vezes: primeiro com Arnaldo Sampaio (pai do psiquiatra Daniel Sampaio e do ex-presidente da República Jorge Sampaio e que influenciou o percurso profissional do atual diretor-geral da Saúde) e da última vez com José Pereira Miguel (diretor-geral antes de Francisco George e onde os dois trabalharam em conjunto), entre 2005 e 2008. Já lá vão nove anos.

"É uma eleição feita pelos Estados membros. Se conseguirmos será muito importante para Portugal. Acreditamos que temos condições para sermos fortes candidatos. Ter indicadores muito bons ajuda. Não são só os bons indicadores que temos na mortalidade infantil, na saúde materna, que mostram a qualidade dos hospitais. É também a nova forma de governar a saúde com novos sistemas informáticos muito eficazes que nos permitiram trabalhar dados de forma rápida. Deixamos de ser vistos como um país atrasado para estarmos na linha da frente. Estes avanços despertaram a atenção de outros países. São também as atuações internacionais e contributos científicos que projetam o nome de Portugal", refere Francisco George.

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