Não às árvores na 2.ª Circular. Assembleia quer arbustos

Parlamento da cidade discute amanhã envio de mais de 30 recomendações à câmara municipal. Prioridade aos transportes públicos, com criação de faixas bus, é também defendida

É mais uma voz a juntar às dúvidas que foram surgindo ao longo dos últimos meses: depois de, no dia 1, ter ouvido a opinião de lisboetas, especialistas e deputados municipais sobre a remodelação da 2.ª Circular, a Assembleia Municipal de Lisboa (AML) deverá agora recomendar à câmara que mantenha o "separador central com rails e com arbustos, em vez de árvores de folha caduca ou com bagas que tornam o piso mais perigoso", como propõe o projeto que esteve em discussão pública entre 23 de dezembro e 29 de janeiro.

A sugestão, que visa proteger o trânsito "garantindo um sistema de retenção de veículos" e "desincentivar ao mesmo tempo o atravessamento de peões", é uma das mais de 30 que constam do documento que amanhã será debatido e votado pelo parlamento da cidade e que poderão ou não ser aceites pelo município. A intervenção deverá começar a sair do papel em junho.

O relatório, redigido por Helena Roseta, presidente da AML, e Diogo Moura, deputado municipal, foi divulgado ontem no site do parlamento da cidade e, embora seja reconhecido o consenso quanto aos objetivos concretos do projeto - "aumentar a segurança rodoviária" e a "fluidez do tráfego" e "melhorar o desempenho ambiental e o enquadramento urbano" -, inclui mais de três dezenas de recomendações que deverão ser vertidas numa proposta e enviada ao município liderado por Fernando Medina.

Além da sugestão para que, no separador central, quando possível terá 3,5 metros de largura, as árvores deem lugar a arbustos, é ainda recomendado que, de modo a "não agravar as condições de risco de bird strike [risco de colisão entre uma aeronave e uma ave]", sejam reforçados "os níveis de controlo da avifauna" nos cones de aterragem e na envolvente do aeroporto; que as "espécies arbóreas a introduzir" sejam escolhidas "em função do porte, das necessidades de manutenção, do tempo de desenvolvimento e do torrão de solo necessário para o efeito"; e que seja considerada no projeto "a promoção da biodiversidade e de zonas de acalmia de trânsito nos locais de maior sinistralidade, permitindo à fauna silvestre fazer a sua travessia".

No documento, que poderá sofrer alterações durante o debate, dão ainda resposta aos representantes dos transportes públicos, sugerindo ao município que admita "a futura criação de faixas Bus para transportes coletivos, de acordo com as condições de cada troço, a implementar de forma progressiva" e que pondere "a possibilidade de os eixos de entrada e saída contemplarem a prioridade ao transporte coletivo". Já relativamente a redução da velocidade máxima permitida de 80 km/h para 60 km/h, é recomendado que seja definido "um limite de velocidade bi-horário, durante o dia mais reduzido e à noite mais alargado".

Além de sugestões relativas ao projeto em si, o relatório inclui ainda recomendações relativas à sua execução, ao seu enquadramento e a outras intervenções necessárias na cidade. "Este ou outro qualquer projeto para a requalificação da 2.ª Circular será sempre incompleto e insuficiente se não tiver em conta reais alternativas ao uso do transporte individual. Não basta apenas transferi-lo para outras vias já congestionadas ou embelezar a 2.ª Circular plantando árvores, sem oferecer soluções de mobilidade alternativa para Lisboa e os concelhos limítrofes", concluem os relatores.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG