Lisboa. Câmara recusa deixar cair revolução na 2.ª Circular

O vereador Manuel Salgado refuta as críticas feitas pelo ex-vereador Nunes da Silva e diz que não se assusta com a ameaça de providência cautelar

A "nova" Segunda Circular é mesmo para fazer, garante o arquiteto e vereador do Planeamento e urbanismo da Câmara de Lisboa.

Um ano de obras para transformar a Segunda Circular. Pode garantir que não vai haver caos?

Não vai haver. As obras na Segunda Circular estão programadas para atenuar ao máximo o incómodo a quem circula e reduzir ao máximo o impacto no resto da cidade. Só vão decorrer à noite, entre as 23.00 e as 5.00 da manhã. À noite, haverá sempre uma faixa de circulação em cada sentido, enquanto decorrem os trabalhos. Durante o dia, toda a Segunda Circular estará operacional como está hoje, com as três faixas de rodagem em ambos os sentidos. A obra será feita por troços.

E não haverá concentração de trânsito durante as obras?

A maior parte do trânsito será desviado para a CRIL e Eixo Norte-Sul. Estas não têm sido vias alternativas por uma questão de velocidade: é mais rápido atravessar a cidade através da Segunda Circular do que atravessar a CRIL. A nós não nos interessa tanto tráfego a atravessar Lisboa. O aeroporto é responsável por 25 a 27% do trânsito que circula na Segunda Circular. Estamos a trabalhar para que os acessos ao aeroporto sejam feitos pela CRIL e Eixo Norte Sul. As obras da Segunda Circular preveem pequenas intervenções imediatas no nó da CRIL com a Segunda Circular e Eixo Norte Sul.

Mas com tantas vozes a protestarem, admite deixar cair o projeto?

Não admito deixar cair o projeto, está fora de questão. Ficar como está, a Segunda Circular não fica.Mas claro que estamos abertos a sugestões e críticas até porque a proposta está em consulta pública. Qualquer obra que se fizesse ali seria polémica.

As críticas feitas hoje pelo ex-vereador da Mobilidade, Nunes da Silva, não o incomodaram?

Não percebo a origem das críticas do Professor Nunes da Silva e muito menos que isso dê origem à sua renúncia do cargo de deputado municipal. Ele é uma das partes que esteve envolvida diretamente no projeto e no Plano Diretor municipal. Foi o grande responsável pela mobilidade, área em que fez um excelente trabalho.

O facto é que não mostra estar de acordo com quase nada do projeto...

Em finais de 2010, quando Nunes da Silva já estava na Câmara, com o pelouro da Mobilidade, foi desenvolvido um estudo que propunha a redução das faixas de rodagem para 3,25 metros de largura, que veio a ser executado. Hoje, as duas faixas centrais da Segunda Circular têm essa largura. A única faixa que não foi corrigida foi a da direita. Esse estudo foi feito pela Direção Municipal da M obilidade. Nós só pormenorizámos. Deslocámos as faixas para o lado para ter o separador central arborizado. Mas as faixas ficam com a mesma largura que têm hoje.

Com a redução prevista de velocidade para 60km/hora não há o risco de engarrafamentos?

Não há. Aumentamos a fluidez do trânsito ao baixar a velocidade, não a diminuimos. A Segunda Circular é uma via urbana e não uma autoestrada. Quando foi construída nos anos 60 era o limite da cidade de Lisboa. Mais recentemente, a partir dos anos 70/80 é que foram construídos, para norte da segunda circular, os bairros de Telheiras, Carnide, etc. Para norte da Segunda Circular vive agora um quarto da cidade de Lisboa. No Plano Diretor Municipal de 2012 está o projeto de transformar a segunda circular numa avenida urbana. A redução da velocidade vai ainda contribuir para reduzir os acidentes que são muitos ali (507 no último ano, segundo a PSP). Refuto ainda a crítica de que é uma caça à multa como disse Nunes da Silva porque não tem sentido nenhum. Caça à multa seria baixar os limites de velocidade nas avenidas Estados Unidos ou Gago Coutinho, que são vias desimpedidas.

O presidente do ACP, Carlos Barbosa, ameaçou avançar com uma providência cautelar. Não o assusta?

Eu percebo a crítica feita por Carlos Barbosa ao projeto e não estou de acordo. A providência cautelar do ACP não me assusta. Já avançaram antes com providências cautelares aquando das obras do Terreiro do paço e Ribeira das naus e perderam nos tribunais. E mesmo com tantas críticas a essas obras, os lisboetas elegeram António Costa para a presidência da câmara.

Como responde às críticas à retirada de uma via em cada sentido para fazer um separador central verde?

Tem havido muito enfoque nessa questão. Mas nós não vamos colocar flores nem relvados no separador central! Na envolvente já existem árvores. Recentemente, foram colocadas algumas junto à ponte da Galp. Uma das críticas que ouvi do professor Nunes da Silva foi dizer que as árvores vão fazer o efeito de túnel que já existe na Avenida da Liberdade, o que provocará ali a concentração do monóxido de carbono. Pelos vistos, Nunes da Silva não aprendeu nada com o arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles: é que a Avenida é um vale. As brisas no vale não funcionam como na Segunda Circular, o ar corre ao longo do vale e não fica encanado.

Dos 10 milhões em que está estimada a obra, quantos vão ser gastos na resolução dos problemas da via?

Do total, serão 8,5 milhões para resolver os problemas da via: reconstrução do pavimento, drenagem, má sinalização, etc.

Que mensagem quer deixar aos lisboetas?

Duas mensagens: o projeto é para melhorar as condições de quem usa a segunda Circular. E não é mais do que a concretização de um plano que vem do tempo do ex-vereador Nunes da Silva.

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