Descoberta causa de morte de criança há quase 500 anos: hepatite B

Os investigadores não excluem completamente a hipótese de a múmia ter sido contaminada quando foi descoberta, nos anos 80

O corpo mumificado de uma criança de dois anos enterrada há quase 500 anos em Nápoles revelou mais um segredo aos cientistas: ao contrário do que se pensava anteriormente, a criança não terá morrido de varíola, mas de hepatite B.

Décadas depois de ser descoberto e analisado pela primeira vez, um grupo de cientistas voltou a estudar o corpo encontrado na Basílica di San Domenico Maggiore. E descobriu que a criança sofria de Hepatite B, um vírus que hoje afeta cerca de 250 milhões em todo o mundo e que matou quase 900 mil pessoas em 2015, a maior parte devido a doença hepática, segundo dados da Organização Mundial de Saúde.

"Este vírus muito comum e agressivo está connosco há pelo menos 500 anos, e eu suspeito que pode estar há muitos, muitos milhares de anos", diz o autor do estudo publicado no Plos Pathogens, o biólogo Edward Holmes, da Universidade de Sydney.

Inicialmente, os investigadores pensaram que as lesões na cara mumificada da criança indicavam que tinha morrido de varíola e esta serviu como exemplo dos primeiros casos da doença na Europa. Foi por isso que voltou a ser estudada pela equipa de Holmes, que estava a tentar mapear a diversidade e evolução espacial dos vírus de varíola no velho continente. Mas recorrendo a ferramentas com maior precisão, não encontraram qualquer tipo rasto do vírus.

Encontraram sim sinais da presença do vírus da hepatite B e, embora inicialmente tenham ignorado a descoberta, perceberam depois que as lesões na cara poderiam ser atribuídas também um uma síndrome ligada ao vírus da hepatite. Voltaram a fazer análises a nível molecular e lá estava o vírus, mas ponderaram a hipótese de o cadáver ter sido contaminado quando foi descoberto nos anos 80 do século passado. Novas análises revelaram que o material genético do vírus estava danificado da mesma forma que o material genético da múmia.

Mesmo assim, a equipa não exclui completamente a possibilidade de contaminação.

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