"Moradia" à venda em Benfica afinal é um jazigo

Imobiliária diz que é a primeira vez que têm um jazigo para vender

Apareceu há 15 dias na lista de propriedades de uma conhecida imobiliária e não deixa de surpreender: aparece na pesquisa de moradias e o preço é convidativo, 60 mil euros, mas trata-se de um jazigo no cemitério de Benfica.

O jazigo foi construído em 1957, para a família Palrão, e é da autoria do arquiteto E. P. Lopes. Tem espaço para mais de oito caixões. Atualmente já não pertence à mesma família e os proprietários contactaram a Remax para vendê-lo, explica uma coordenadora da imobiliária.

Carla Ferreira diz que foi a primeira vez que lhes apareceu um jazigo, mas que já houve outros casos a nível nacional. "Um dos consultores da agência foi contactado, como acontece tantas vezes no caso de outros imóveis. Contactámos o advogado e a documentação está correta, portanto avançámos. É também para isso que aqui estamos, para ajudar as pessoas", conta ao DN.

A dificuldade foi perceber como listar o imóvel: aparece com a designação "outros tipos", mas na pesquisa de moradias, explica a coordenadora. O jazigo foi posto à venda no site há cerca de duas semanas e já tiveram alguns interessados - incluindo contactos de colegas que querem informação sobre os procedimentos legais, uma vez que têm também clientes interessados em colocar jazigos à venda.

Apesar do insólito, a verdade é que em Lisboa até o espaço nos cemitérios é escasso e valioso: a câmara municipal alerta, na sua página, que se verifica "ausência de espaço" para os enterros tradicionais, "não só porque a cidade cresce, mas também porque as exumações efetuadas não são suficientes para libertar o espaço para ocupações posteriores".

Mais Notícias

Outras Notícias GMG