Missão europeia que vai procurar vida em Marte parte amanhã

Sonda ExoMars conta com tecnologias "made in" Portugal.

A contagem decrescente já começou. Se tudo correr como está previsto, a Exomars, a primeira missão europeia que vai em busca de sinais de vida em Marte, parte amanhã do centro espacial de Baikonur, no Cazaquistão, quando forem 09.31 em Lisboa. Por cá, a expectativa também estará em alta, porque parte da tecnologia da sonda é "made in" Portugal.

A ambiciosa missão europeia, em colaboração com a Rússia, foi concebida em duas fases. A primeira, a ExoMars 2016, lançada amanhã, vai colocar uma sonda na órbita marciana, a Trace Gas Orbiter (TGO), para medir os gases na atmosfera de Marte, sobretudo o metano, que tem sofrido ali misteriosas flutuações, e fazer descer na superfície o módulo Schiaparelli, que fará medições, mas que pretende acima de tudo testar as tecnologias de descida e aterragem.

A segunda fase da missão, a ExoMars 2018, tem lançamento previsto para daqui a dois anos, e aí, a ideia é colocar na superfície do Planeta Vermelho, junto ao equador, onde a temperatura é menos rude, um robô móvel e uma plataforma científica que terão capacidade, por exemplo, para escavar até dois metros de profundidade e analisar ali mesmo as amostras recolhidas. O objetivo é tentar encontrar em Marte sinais de vida passada - ou presente, quem sabe. O nome da missão, ExoMars, cita expressamente esse propósito: exo, de exobiologia, a biologia fora da Terra.

As duas fases, a missão têm o contributo de empresas portuguesas, que participaram e participam no desenvolvimento de algumas das tecnologias dos equipamentos da ExoMars.

Mas, para já, a primeira fase da missão, que tem amanhã o primeiro momento crucial do lançamento. Em Coimbra, na sede Critical Software, que participou no desenvolvimento dos sistemas de controlo de bordo, os olhos vão estar postos nos ecrãs, a seguir em directo a partida, que a ESA, a agência espacial europeia, vai transmitir na sua página na Internet, em http://www.esa.int/Our_Activities/Space_Science/ExoMars/Watch_ExoMars_launch.

Para assinalar a ocasião, a empresa de Coimbra convidou alunos das escolas da região para assistir ao lançamento, juntamente com a equipa que trabalhou na missão.

"É a primeira vez que a Critical Software está envolvida numa missão a Marte", afirma Bruno Carvalho, um dos diretores da empresa, na página de Internet da Critical Software "Estamos muito satisfeitos por fazermos parte deste ambicioso projeto espacial europeu que é o mais complexo em que já estivemos envolvidos até hoje", sublinha ainda.

Outra empresa que participa na missão é a HPS Portugal, sediada no Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial (INEGI), na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, que concebeu o isolamento térmico do módulo Schiapareli. É isso que vai proteja-lo na arriscada descida sobre a superfície de Marte dentro de alguns meses, a 16 de outubro.

Até lá, o lançamento, amanhã, e depois a viagem, se tudo correr como previsto. A segunda fase da missão, marcada para 2018, volta a contar com tecnologias portuguesas. A Activespace Technologies, outra empresa de Coimbra, é outra das que vai participar, nomeadamente com a conceção de algumas das peças da estrutura do robô móvel que a missão ambiciona levar para Marte.

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