Milhares estão de malas feitas para estudar lá fora

Número de jovens que participam no Programa Erasmus tem vindo a crescer. Este ano serão 5922 os alunos portugueses no estrangeiro

Rita Beco tem as malas feitas para partir já na próxima terça-feira para a Argentina, onde vai estudar durante um semestre. Na bagagem leva muitos sonhos e a certeza de que esta experiência no programa Erasmus+ será uma mais-valia para o seu futuro profissional. No total serão 5922 os estudantes portugueses - dos quais 1200 da Universidade do Porto (UP) - que vão embarcar em breve nesta "grande aventura".

"É um número cada vez maior. A UP é a universidade do país que leva mais alunos para fora e a que recebe mais. Este ano recebemos quase quatro mil estudantes internacionais e para o ano estamos à espera de mais. O número tem aumentado 10 a 15 por cento ao ano, o que é significativo", avançou ao DN a vice-reitora da UP, Fátima Marinho, em declarações proferidas à margem de um almoço de convívio, que decorreu ontem na Reitoria da UP, entre os jovens que participarão este ano no programa. A responsável adiantou ainda que a instituição tem acordos com mais de duas mil universidades internacionais dos quatro cantos do mundo. Uma lista à qual se vai juntar a Austrália já no próximo ano.

O programa de estudos no estrangeiro Erasmus+ arrancou em 2014, com um orçamento de 14,7 mil milhões de euros, prevendo - até 2020 - a criação de cerca de quatro milhões de bolsas de estudo. Segundo fonte do Programa Erasmus+, no primeiro ano do programa 5288 jovens fizeram Erasmus e no ano seguinte registaram-se 5481 participações.

Valorizar o currículo, aprender ou consolidar conhecimentos de línguas estrangeiras, amadurecer e conhecer outras culturas são alguns dos motivos que levam os alunos portugueses a ingressar no Erasmus+. Muitos seguem o exemplo dos irmãos mais velhos que já vivenciaram a experiência. É o caso de Pedro Torres, irmão de um antigo estudante da UP, que viveu seis meses na Rússia. "A Roménia foi a minha primeira escolha, queria algo na Europa de Leste, algo que não fosse demasiado turístico e com um custo de vida reduzido. Quis ir por questões profissionais. Tenho colegas do meu curso que eram questionados em entrevistas de emprego se tinham feito Erasmus e percebi que isso seria uma mais-valia para mim. Mostra proatividade e disponibilidade para sair do país", sublinhou ao DN.

Francisco Tenreiro, estudante de Engenharia Mecânica, partilha da mesma opinião. O jovem escolheu Paris para estudar e para "alargar horizontes" e confessou não ter receio do clima de insegurança que se vive em França depois do atentado de Nice. "Não tenho medo de ir para Paris, terrorismo infelizmente também existe noutros países da Europa. Tenho colegas de curso que vão para a Turquia e também não estão com medo. Vamos sair da zona de conforto e viver experiências totalmente diferentes", justificou.

Segundo Fátima Marinho, o feedback das universidades estrangeiras em relação ao desempenho dos alunos portugueses tem sido muito positivo, bem como o dos estudantes que escolhem Portugal para fazer Erasmus. Para estes jovens "sair da zona de conforto" tem sido uma aposta ganha. "Muitos deles nunca saíram do país e nunca viveram sozinhos. Trata-se de uma experiência de crescimento pessoal", concluiu.

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