Mil pessoas já têm a aplicação para denunciar violência doméstica

Desde 10 de março, a app, que funciona como guia de recursos de apoio e contra a violência doméstica, está ativa em mil telemóveis

Seis pessoas por dia, em média, descarregaram nos últimos seis meses a aplicação, lançada pelo governo, que permite a denúncia de casos de violência doméstica. Há neste momento ativas cerca de mil AppVD, APPoio contra a Violência Doméstica, um guia online contra a violência doméstica, usado essencialmente por vítimas e profissionais de saúde e educação que dão apoio nestes casos.

"Um número expressivo porque só quem precisa é que o procura", salientou a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade. Catarina Marcelino garante que quando a app foi lançada, no início de março, não foi estabelecida nenhuma meta de downloads. "Quando construímos esta aplicação, que é gratuita, o objetivo era ter mais um instrumento que fosse útil quer para as vitimas de violência quer para os profissionais que se deparam com estas situações. Com esta app, o pedido de ajuda, a denúncia, pode ser feito de imediato, quer por uma pessoa que está a ser vítima de violência quer por alguém que tenha conhecimento de uma situação, um vizinho de alguém que esteja a ser agredido", explica ao DN Catarina Marcelino que olha para a app como mais um mecanismo de estratégia alargada que o governo tem para travar o fenómeno e dar respostas de apoio.

A aplicação está diretamente articulada com as forças de segurança, mas nesta fase ainda não é possível perceber quantos processos-crime e investigações foram abertos na sequência de queixa dos utilizadores. Tal como não se consegue saber se quem fez o download é uma vítima direta de violência. "Para já só tenho a certeza de que estas mil pessoas tiveram de alguma forma contacto com este fenómeno, porque só usa a app quem precisa", observa a secretária de Estado, que revela que a Comissão para a Igualdade de Género está a preparar uma campanha para relembrar os benefícios da app: "Vamos colocar cartazes nos serviços públicos, onde passam pessoas, para avisar que estes instrumentos existem."

Uma das situações que mais preocupam é a violência no namoro. Entre 2015 e 2016, houve um aumento de 6% do número de queixas. No ano passado foram 1975 as participações recebidas pelas autoridades, PSP e GNR mais 123 do que em 2015. "Há já vários projetos no terreno, em várias cidades, e paralelamente está a ser desenvolvido um jogo virtual - Unlove - que permite que os jovens façam o percurso dentro de uma relação de namoro. Este videojogo vai ter a possibilidade de chegar a muita gente, quer nas escolas quer nas redes sociais, e estará disponível no início do próximo ano", explica Catarina Marcelino. O Unlove será disponibilizado em formato web e app para telemóvel, em que o jogador, com recurso ao seu avatar, pode viver virtualmente uma relação de namoro, em que lhe são colocadas situações sobre as quais terá de tomar decisões para prosseguir. As decisões conduzem a diferentes caminhos de relação e ocorrem em diferentes espaços (casa, escola, a praia). "A prevenção é muito importante para evitar mortes no futuro... Há uma grande aposta para chegar a mais jovens e a mais escolas", conclui.

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