Medina admite que não é possível mudar transportes públicos "da noite para o dia"

O autarca defende a municipalização da gestão dos transportes públicos

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa defendeu hoje que o município "fará melhor e gerirá melhor" os transportes públicos da capital caso assuma a sua gestão, ressalvando porém que não é possível mudar "da noite para o dia".

"Não será possível uma melhoria radical da noite para o dia, não será possível uma transformação profunda porque há constrangimentos de natureza variada, mas também não tenho dúvida em dizer que tenho a profunda convicção de que nós faremos melhor, nós geriremos melhor as companhias" de transportes, afirmou Fernando Medina numa reunião camarária descentralizada.

Para o líder do executivo socialista, o município possui "muito maior sensibilidade relativamente às questões do território", nomeadamente em termos da necessidade de oferta de transportes em cada área geográfica.

Já por variadas vezes o autarca defendeu a municipalização da gestão dos transportes públicos (que inclui a rodoviária Carris e o Metropolitano), sustentando hoje que a atual situação dos transportes "é um absurdo do ponto de vista da deficiência do serviço aos cidadãos".

"Estamos em negociações com o Governo para ultimar esse processo", referiu.

No início da reunião uma munícipe queixou-se de não ter conseguido inscrever-se para falar, tendo o vereador do PCP, João Ferreira, perguntado "quem decide quem fala e quem não fala" e "que critérios estão na base dessa decisão".

João Ferreira chegou mesmo a questionar o presidente se estão "a ser eliminados assuntos mais incómodos", apontando que alguns munícipes o abordaram com esta situação aquando da sua chegada à escola Gustave Eiffel, onde decorre a reunião descentralizada.

Em resposta, Fernando Medina afirmou que "o único critério é a tentativa de abordar o maior número de assuntos", sustentando que são "os órgãos de apoio ao município" que fazem a escolha das intervenções.

"Se o senhor vereador acha que haverá aqui alguma suspeição de escolha na base da facilidade da resolução de assuntos, eu ou muito me engano ou daqui a duas horas já terá resposta à sua pergunta e veremos como essa suspeita é bastante infundada", vincou.

Estas sessões destinam-se a ouvir e responder a questões dos munícipes, estando prevista a participação de duas dezenas de pessoas.

"Como é muito frequente faltarem munícipes à chamada nos depois damos a palavra aos munícipes presentes até poder ocupar esse número", disse o presidente.

Apontando que já é uma situação recorrente, o comunista João Ferreira pediu então acesso "a tempo à lista dos 20 inscritos e [?] também de todos os munícipes que pedem para falar mas que acabam por não falar", pedido subscrito pelo vereador do CDS-PP, João Gonçalves Pereira.

Ainda durante a reunião, o líder do executivo de maioria PS afirmou "ainda ontem" (terça-feira) ter tido uma reunião com a ministra da Administração Interna relativamente à "reorganização do dispositivo de esquadras" da Polícia de Segurança Pública (PSP).

"Apresentámos novas propostas que permitam desbloquear a solução geral que falta para reorganização do dispositivo das esquadras", apontou Medina, identificando as zonas de Santa Clara e Bairro da Cruz Vermelha como "de preocupação" e com necessidade de "soluções mais rápidas".

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