Médico que adoeceu com ébola e o "doente de Berlim" estão em Lisboa

Dois doentes "famosos" no mundo da medicina, hoje curados, partilham as suas histórias numa conferência em Lisboa

Craig Spencer, o médico que foi infetado com ébola durante o surto na Guiné Conacri, está hoje em Lisboa para contar a sua experiência como clínico e doente. O norte-americano participa nas 10ª jornadas de atualização em doenças infecciosas, promovido pelo hospital Curry Cabral. Não é a única personalidade internacional. Também Timothy Ray Brown, conhecido como o "doente de Berlim", participa neste encontro - é o único doente curado da infeção VIH.

Craig Spencer foi diagnosticado com ébola a 23 de outubro de 2014. Viajou para a Guiné-Conacri quando o surto estalou para cuidar dos muitos doentes como voluntário numa clínica. Os primeiros sintomas da doença surgiram uma semana depois de ter chegado a Nova Iorque, nos Estados Unidos. Tinha andado na rua, em transportes e lançou o pânico na cidade. Foi internado e três semanas depois dado como curado.

Terá sido um dos primeiros a usar um medicamento experimental e o soro criado a partir de doentes que tinham ficado curados. Um ano depois voltou ao hospital onde esteve internado para agradecer à equipa que o tratou. Hoje está em Lisboa, na Culturgest, onde se realizam as jornadas, para falar sobre a sua experiência enquanto médico, mas também doente.

Também Timothy Ray Brown vem falar da sua experiência como o único doente curado da infeção por VIH. O norte-americano, que ficou conhecido por doente de Berlim por ser esta cidade onde vivia quando recebeu o tratamento, recebeu o diagnóstico em 1995. Em 2007 foi-lhe diagnosticada uma leucemia que obrigou a um transplante de medula de um dador escolhido a dedo pelo médico: uma pessoa com uma mutação que dá resistência natural ao VIH. A mutação é a ausência de CCR5 da superfície das células CD4, a porta de entrada para estas infeções.

Depois do transplante Timothy não voltou a fazer tratamentos com antirretrovirais e desde então a contagem de células CD4 - usadas para medir a presença do vírus do VIH e o desenvolvimento da doença - tem-se mantido igual à de uma pessoa saudável. Ainda hoje não parece ser claro o que terá levado a este resultado. Se o transplante de medula com esta alteração ou os tratamentos de quimioterapia que fez antes e que terão morto grande parte das células do hospedeiro antes de receber o tratamento. O processo não tem sido fácil. Após o tratamento para a leucemia, Timothy teve problemas neurológicos como cegueira temporária, descoordenação motora e alterações de humor.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG