Medicamento da Merck eficaz a evitar casos graves mas não recomendado a grávidas

A aprovação, dizem os analistas, representaria um grande passo à frente na luta contra a pandemia, pois os profissionais de saúde passariam a ter uma nova e poderosa ferramenta para ajudar as pessoas infetadas

Um medicamento contra a covid-19 desenvolvido pela Merck provou ser eficaz no tratamento da doença, disse esta sexta-feira (26) um painel de conselheiros da agência norte-americana Food and Drug Administration (FDA) num relatório preliminar que era muito aguardado.

Porém, o relatório advertiu que mulheres grávidas não devem tomar o medicamento, conhecido como molnupiravir, explicando que os potenciais benefícios não superam os riscos para essas pacientes. Porém, nenhuma grávida participou nos ensaios clínicos, tendo sido realizados testes envolvendo ratos e coelhos grávidos em que se verificaram malformações no feto.

Este relatório tem como o objetivo dar uma orientação ao painel de especialistas da FDA que se vai reunir na terça-feira para avaliar dar autorização do uso de emergência do medicamento.

A aprovação, dizem os analistas, representaria um grande passo em frente na luta contra a pandemia, uma vez que os profissionais de saúde passariam a ter uma nova e poderosa ferramenta para ajudar as pessoas infetadas.

De acordo com os resultados completos do ensaio clínico do medicamento divulgados pela Merck, o molnupiravir reduziria em 30 por centro a taxa de hospitalizações e mortes em doentes de alto risco que o tomem logo após a infeção.

Produzido pela farmacêutica Merck Sharp & Dohme, em colaboração com a empresa biotecnológica Ridgeback Biotherapeutics, o medicamento reduz a capacidade do coronavírus SARS-CoV-2, que provoca a covid-19, de se replicar no corpo, aumentando o número de mutações no material genético do vírus de uma forma que prejudica a sua capacidade de se multiplicar.

Na semana passada, a agência Europeia do Medicamento aprovou o uso de emergência do antiviral molnupiravir.

A decisão da agência, no caso do Comité de Medicamentos para Uso Humano, baseou-se numa revisão de dados, que incluiu resultados de um ensaio clínico com doentes não hospitalizados e não vacinados com uma comorbilidade que os colocava em risco de covid-19 grave.

Os efeitos secundários, ligeiros a moderados, mais frequentes durante o tratamento e nos 14 dias após a última toma do medicamento foram diarreia, náuseas, tonturas e dor de cabeça.

Inicialmente concebido como uma potencial terapia da gripe e com financiamento do governo americano, este medicamento foi reorientado em 2020 por investigadores da Universidade Emory, no estado da Geórgia, para um possível tratamento da covid-19.

A ação do molnupiravir visa uma enzima que o SARS-CoV-2 usa para se reproduzir, inserindo erros no seu código genético que retardam a capacidade de se espalhar e tomar conta de células humanas. Essa atividade genética levou peritos independentes a questionar se o fármaco poderia eventualmente causar mutações conducentes a defeitos de nascença ou tumores, mas a Merck frisou que o fármaco é seguro quando utilizado segundo as instruções.

A farmacêutica anunciou ainda em outubro a sua permissão para que outros fabricantes possam produzir o seu comprimido, numa tentativa de ajudar milhões de pessoas em países mais pobres e com pouco acesso às vacinas.

O Medicines Patent Pool, um grupo apoiado pelas Nações Unidas, revelou que a Merck não vai receber royalties por este acordo enquanto a covid-19 for considerada uma emergência global pela Organização Mundial da Saúde.

De acordo com os especialistas, um comprimido antiviral que reduz sintomas e acelera a recuperação pode revelar-se essencial no combate à pandemia, ao aliviar a sobrecarga dos hospitais e ajudar a travar surtos em países mais pobres e com sistemas de saúde frágeis.

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