Marcelo, o Presidente que ensina a escrever e é parecido com o avô

Chefe do Estado visitou pediatria e disponibilizou-se para ajudar a vender a agenda que vai angariar fundos para melhorar tratamentos

Sofia está na sala que serve de escola no IPO de Lisboa e aproveita ter o Presidente da República sentado na cadeira do lado para lhe dizer quase ao ouvido: "És igual ao meu avô." Marcelo Rebelo de Sousa recebe o elogio com um sorriso e responde--lhe que tem uma filha com o mesmo nome que ela. Antes, o Presidente ensinou uma outra criança a escrever várias letras, num breve regresso aos tempos de professor. Aos meninos sentados em volta da mesa explicou ainda como se constrói uma notícia, como trabalha um advogado e falou de aniversários. Do seu - a 12 de dezembro -, do de um dos meninos, e lembrou-se de que ontem era o aniversário "de uma grande amiga, a Leonor Beleza".

A chegada de Marcelo Rebelo de Sousa aos corredores da pediatria do IPO de Lisboa foi antecedida da apresentação da agenda solidária, na qual 12 personalidades, entre as quais o próprio Presidente, contam uma história que as tenha marcado. Na apresentação, Marcelo queixou-se de ter escrito pouco. "Não sabia que ia ser uma agenda grande e escrevi pouco. Arrependo-me de ter escrito tão pouco. Quando olho para outros textos, como o da Marisa Matias, percebo que eles sabiam que iam ter espaço. Sinto-me um bocadinho prejudicado", disse, motivando gargalhadas na plateia.

Na agenda, Marcelo recorda a visita que fez com a mãe (assistente social) ao Casal Ventoso. E, no fim da visita, explicou aos jornalistas que gostava de ter desenvolvido mais a história. Nada que o impeça de se empenhar a sério no projeto. "Sei que foram impressos 15 mil exemplares e quero ajudar a que se vendam. Por isso, estou disponível para ir, um dia, a um sítio que vocês decidam ajudar a vender a agenda. Tal como há pouco também já manifestei ao senhor ministro [da Saúde] a disponibilidade para me vacinar contra a gripe para dar o exemplo aos portugueses - se eu apanho depois uma grande gripe, o senhor ministro é o responsável e tenho de rever alguns comentários que tenho feito sobre si...", brincou.

Do auditório, Marcelo seguiu para a pediatria, onde era esperado pelas crianças e pelas suas famílias. Foi acompanhado pelo ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, pelo médico António Gentil Martins (o impulsionador da pediatria no IPO), pelo presidente do IPO, Francisco Ramos, e pela diretora do serviço, Filomena Pereira. Também estiveram na visita Catarina Furtado, Nuno Markl e Sandra Correia, que escreveram para a agenda, e que no final torceram para que as suas vendas ajudem a melhorar o serviço.

A visita aos quartos aconteceu longe dos olhares dos jornalistas. Na sala de convívio, foi possível assistir às conversas. Bianca, de 5 anos, pôde ver de perto o homem que só conhecia da televisão. Natural da ilha Graciosa, nos Açores, veio ao continente "resolver um problema no cateter", explica o pai Gilberto. A conversa com o Presidente incluiu um elogio à ilha: "Disse que tínhamos bom queijo."

Foi na sala de estudo que Marcelo se demorou mais. Sentou-se e aproveitou para falar com os meninos mais crescidos. A Sofia falou da cor dos olhos que ambos partilham. "São azuis quando nado no mar e verdes quando ponho uma gravata verde", explicou Marcelo. Antes, Sofia tinha-lhe dito que ela tinha "olhos que mudam de cor".

O Presidente da República teve de ser alertado por uma técnica que estava "na hora do recreio", para apressar a visita. Mas este respondeu que só saía quando tivesse falado com todos que estavam na mesa. E lançou um desafio aos mais pequenos: "Quantos anos acham que eu vou fazer? Olhem que faço muitos." "Oitenta", diz Sofia a medo. "Tantos também não", brinca. E dá a resposta: "Faço 68." Segue-se um ah de espanto e o reconhecimento por parte do próprio: "É verdade, estou velho."

As palavras e a presença de Marcelo foram vistas como um sinal de esperança. Uma missão que já antes tinha sublinhado no seu discurso - a de levar esperança aos portugueses. "E como não ter esperança quando se veem obras como esta, com este trabalho e estes resultados?", questionou.

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