Mais idosos a viverem isolados e a pandemia contribuiu para a situação

Ações da GNR no patrulhamento de proximidade sinalizaram 44 484 pessoas com 65 e mais anos sem familiares. Vila Real e Guarda têm mais destas situações.

A GNR sinalizou no último ano 44 484 idosos a viverem sozinhos na habitação, muitos dos quais completamente isolados. São mais 2 045 do que em igual período de 2020, um aumento de 4,8 %, segundo o balanço da Operação Censos Sénior 2021. A pandemia também contribuiu para essa situação, explicam os militares. Já no ano passado se verificara uma subida em comparação com 2019.

"Os idosos encontram-se isolados por uma série de razões, também por causa da pandemia. Estão isolados porque os familiares morreram ou residem noutras localidades, mas também porque a covid-19 os afastou temporariamente da família", explicou ao DN a major Mafalda Almeida.

Mas há zonas do país em que o isolamento é maior, sobretudo nas regiões do interior e com uma população mais envelhecida. Vila Real concentra 11,7 % dos idosos isolados (5191) e Guarda 11,3% (5012), os dois distritos com mais pessoas acima dos 64 anos a viverem sozinhas. Já nas áreas das duas principais cidades, a GNR encontrou uma terceira idade mais acompanhada. No Porto sinalizaram 946 idosos isolados (2,1%) e, em Lisboa, 1125 (2,5 %). De realçar que esta polícia desenvolve as suas ações principalmente fora destas duas grandes cidades.

"Os dados da GNR revelam uma realidade que conhecemos e que tem a ver com o isolamento desta população. Foi o que nos levou a abrir a nossa estrutura em Vila Real", comentou ao DN Bruno Gonçalves, diretor geral da Aconchego Residência Sénior. "Muitas famílias transmontanas têm os filhos no estrangeiro e a principal dificuldade é satisfazer as necessidades básicas. As casas não estão preparadas para os problemas que surgem com a idade e as pessoas têm que recorrer a estas instituições", explica.

Bruno Gonçalves, economista, fez um estudo em 2016 sobre perspetivas de negócio. Chegou à conclusão não só que as pessoas viviam muito isoladas, como havia falta deste tipo de camas no distrito. Daí terem avançado para a abertura do lar.

É uma instituição privada e a principal dificuldade na implementação local é o seu preço, 1300 a 1700 euros/mês, quartos individuais e partilhados. Ainda assim, preencheram 36 vagas das 40 de ocupação num mês e os quatro lugares restantes estarão preenchidos até final de novembro. São as mulheres as principais clientes, numa proporção de 70 utentes do sexo feminino para 30 do sexo masculino.

Prevenir burlas e furtos

A operação Censos Sénior é permanente desde 2011, com um balanço todos os 12 meses. Insere-se no programa da GNR Policiamento Comunitário e, através de ações diretas ou no "porta a porta", pretende garantir que os mais vulneráveis tenham algum tipo de acompanhamento. Com a pandemia, a corporação teve que se adaptar e fazer mais contactos na residência das pessoas.

"Os militares realizaram uma série de ações que privilegiaram o contacto pessoal com as pessoas idosas em situação vulnerável, no sentido de sensibilizarem e alertarem este público-alvo para a adoção de comportamentos de segurança que permitam reduzir o risco de se tornarem vítimas de crimes, nomeadamente em situações de violência, de burla e furto, bem como para a adoção de medidas preventivas de propagação da pandemia covid-19", refere um comunicado da GNR.

Sempre que encontram uma pessoa sozinha e/ou isolada, sinalizam para que os militares as visitem nas patrulhas diárias. "Falamos com elas, questionamos, tentamos perceber como é o seu dia a dia, procuramos sensibilizar para práticas criminosas contra elas. É uma forma de prevenir, e evitar, que possam ser alvo de burlas ou roubos, crimes que estatisticamente mais nos preocupam nestas idades", acrescenta a major Mafalda Almeida.
Os Censos Sénior 2021, referem-se ao trabalho desenvolvido no período entre novembro de 2020 e outubro de 2021. Só em outubro, realizaram 172 ações em sala (encontros com os idosos) e 3 431 porta a porta e que abrangeram 19812 idosos.

Os dois últimos anos, que coincidem com o início da pandemia, aumentaram sucessivamente o número de idosos isolados. Mas os 44 484 sinalizados este ano são em menor número do que em 2018, período em que a GNR contabilizou 45 563 a viver sós.

ceuneves@dn.pt

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