Mais de 40º. Primeira vaga de calor do ano deixa país em alerta até domingo

Onda de calor vinda do norte de África vai fazer temperaturas vão subir além dos 40 graus Celsius em várias zonas do Interior do País e o risco máximo de incêndios gera preocupação acrescida. Imagens da Grécia e memórias de 2017 levam António Costa a lançar alerta à população.

A primeira onda de calor deste verão em Portugal já começou a dar os primeiro sinais e deve escalar até ao fim da semana, no qual se preveem temperaturas a ultrapassar os 40 graus centígrados em algumas localidades, sobretudo no interior Norte e Centro e no Alentejo.

Uma escalada da temperatura que tem motivado alertas vários, desde a Direção-Geral da Saúde (DGS) ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), passando pelo próprio primeiro-ministro António Costa, e que deixa uma grande parte do país também em risco máximo de incêndios.

De resto, já na tarde desta quinta-feira, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil colocou cinco distritos do interior norte, centro e sul em alerta laranja no próximo fim de semana, entre 14 e 16 de agosto, devido ao risco de incêndio potenciado pelas condições meteorológicas previstas - os distritos de Bragança, Castelo Branco, Guarda, Portalegre e Faro entram em alerta laranja às 00:00 de 14 de agosto e assim permanecem até às 23:59 de dia 16.

As imagens dos fogos que têm fustigado vários países da zona do Mediterrâneo, em particular a Grécia, mas antes também a Turquia, ou, no norte de África, a Argélia, onde as mortes devido aos incêndios já ultrapassaram esta quarta-feira as seis dezenas (69), servem de alerta e preocupação perante a chegada à Península Ibérica desta massa de calor que pode já ter provocado um novo recorde de temperatura mais elevada alguma vez já registada na Europa - Itália viu hoje o termómetro marcar 48,8 graus Celsius em siracusa, na Sicília.

Preocupação suficiente para levar o primeiro-ministro António Costa, esta quarta-feira, a dirigir-se à população, através de uma mensagem vídeo, apelando aos portugueses para terem máximo cuidado nos próximos dias.

"A meteorologia indica-nos que os próximos dias serão dias de riscos acrescidos, e por isso temos de ter cuidados acrescidos", afirmou António Costa. "As televisões têm mostrado imagens terríveis do que tem acontecido em outros países nas últimas semanas devido a temperaturas muito elevadas", lembrou o primeiro-ministro, frisando que ninguém quer ver esse cenário "outra vez" em Portugal, numa alusão ao terrível ano de 2017, em que mais de cem mortos e 500 mil hectares de área ardida marcaram o pior ano em Portugal quanto a incêndios florestais.


"Por isso, cada um de nós tem de se empenhar em ter todos os cuidados para evitar que os incêndios sejam de novo uma tragédia em Portugal", realçou António Costa, que indicou ainda que, nos últimos três anos, se alcançou uma redução de 50% no número de incêndios, assim como uma redução de 64% da área ardida quando comparado com a década anterior.

Termómetros podem chegar aos 46.º C no Alentejo

Segundo o alerta lançado pelo IPMA, a onda de calor dos próximos dias, provocada pelo "transporte de uma massa de ar quente e seco oriunda do norte de África", levará a temperatura máxima a "subir para valores acima da média na generalidade do território".

Assim, "preveem-se temperaturas entre 35°C e 40°C no interior norte e centro e no Alentejo, até ao dia 16" e "poderão ser atingidos valores superiores a 40°C em algumas localidades destas regiões", avisa a nota do IPMA.

De acordo com as previsões que podem ser consultadas na página do IPMA, os termómetros devem ultrapassar os 40ºC, no fim de semana, em localidades dos distritos de Bragança, Castelo Branco, Évora e Beja. As temperatura mais elevadas devem registar-se nestes distritos alentejanos, com 46ºC previstos para Reguengos de Monsaraz (Évora) e Castro Verde (Beja), no próximo sábado. Mourão e Portel, ambos no distrito de Évora, têm 45ºC previstos para esse dia, enquanto Vila Velha de Ródão (Castelo Branco) pode chegar aos 43ºC, e Mirandela e Freixo de Espada à Cinta (Bragança) aos 41º C.

A exceção a estes valores será na faixa costeira das regiões norte e centro, onde os valores da temperatura máxima não deverão ultrapassar 30°C.

Risco máximo de incêndio alastra até domingo

A onda de calor com origem no norte de África que vai atingir Portugal nestes dias, em especial entre sexta-feira e domingo, tem deixado um rasto de devastação por onde tem passado, com vários incêndios associados às elevadas temperaturas que desafiam os recordes alcançados pelos termómetros em várias regiões.

Face ao agravamento das condições atmosféricas, o risco de incêndio também dispara nos próximos dias, em Portugal, como se comprova no site do IPMA. Se nesta quarta-feira o risco máximo de incêndio se circunscrevia quase exclusivamente aos extremos interiores Norte e Centro, a mancha alastra significativamente até ao próximo domingo, como pode comprovar nas figuras abaixo.

11 de agosto

15 de agosto

Segundo informação da ANEPC, "devido ao elevado risco de incêndio", a Proteção Civil determinou um reforço de meios e um pré-posicionamento nas regiões do Algarve, Centro e Norte.

A ANEPC emitiu também um aviso à população recordando que no período crítico de risco de incêndio, até 30 de setembro, vigora um conjunto de proibições.

As recomendações da DGS

Face aos perigos que a vaga de calor pode significar para a saúde da população, a Direção-Geral da Saúde emitiu também uma serie de recomendações, apelando a que sejam tomadas medidas de proteção como "beber água ou sumos de fruta natural", fazer "refeições frias e leves", "utilizar roupa larga, chapéu e óculos de sol", "manter-se em ambientes frescos arejados, pelo menos duas a três horas por dia", e "evitar a exposição direta ao sol, principalmente entre as 11 e as 17 horas", entre outras que pode consultar na página da DGS na internet.

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