Mais de 20 países já vacinam dos 12 aos 15 anos. Uns de forma universal, outros restrita

A decisão de vacinar ou não crianças e jovens contra a doença não é pacífica, mas há países que iniciaram este processo. Uns de forma universal, outros só para os que têm doenças preexistentes. Portugal tem 410 mil jovens nesta faixa etária, alguns já estarão imunizados pela infeção.

Em maio, a Agência Europeia de Medicamentos aprovou a vacina da Pfizer/BioNTech para a faixa etária dos 12 aos 15 anos, considerando que a vacina "é eficaz para prevenir a covid-19". Há duas semanas aprovou também a vacina da Moderna para a mesma faixa etária e com a fundamentação de que "a vacina é altamente eficaz para prevenir a covid-19". A DGS vai dar esta terça-feira uma conferência de imprensa a divulgar a posição de Portugal.

Segundo os ensaios realizados pelos dois laboratórios, os efeitos secundários detetados nos jovens dos 12 aos 15 anos foram semelhantes aos identificados nos jovens acima dos 16 anos, nomeadamente dor no local da injeção, cansaço, dor de cabeça, dores musculares e articulares e febre. Estes dois laboratórios já avançaram até com ensaios para avaliar o efeito das vacinas na faixa etária infantil até aos 10 anos.

Mas por agora, no mundo, há pelo menos mais de 20 países que já estão a vacinar, uns de forma universal outros de forma restrita, apenas os jovens com comorbilidades, por considerarem que estes correm maior risco de desenvolver a doença de forma grave e que devem ser protegidos.

O vacinar ou não ainda as faixas etárias mais jovens não tem sido uma decisão pacífica. A própria Organização Mundial de Saúde e o Centro de Controlo de Doenças Europeu apelaram aos países para que não o fizessem de forma universal e tendo em conta a escassez de vacinas em países mais carenciados.

O Canadá e os Estados Unidos da América foram os primeiros a avançar com a decisão de o fazer, após um estudo com a vacina da Pfizer que demonstrava uma eficácia para esta faixa etária acima dos 90% e de os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) destes países aprovarem a vacina. O Canadá começou o processo logo no início de maio, os EUA a meio desse mês. ​​​​​​Neste momento, nos EUA já há mais de sete milhões de adolescentes, entre os 12 e os 15 anos, vacinados.

Israel, um dos países com o processo de vacinação mais avançado, começou a vacinar os jovens desta faixa etária em junho com a vacina da Pfizer, mas com a recomendação por parte do Ministério da Saúde de que a vacinação começasse pelos jovens que integram grupos de risco.

No mundo, e após um ano e meio de pandmeia há registo de 199 443 207 e de 4 246 105 mortes.

Até agora, um dos efeitos secundários que mais preocupavam as autoridades deste país, e que foram detetados em algumas situações nos EUA, era a inflamação do músculo do coração, a miocardite, mas entre as mais de 200 mil crianças vacinadas contra a covid-19 em Israel, só foram identificados três casos. E os dados revelados nas últimas semanas não mostraram qualquer efeito secundário relevante nestes jovens com idades entre os 12 e os 15 anos.

Na América Latina, o Chile foi dos países que mais cedo decidiram avançar com a vacinação, que começou a 21 de junho.

Na Europa, o primeiro a avançar com esta decisão foi a Alemanha, a 27 de maio. Uma decisão que foi tomada pelo Comité Permanente de Vacinação do país, formado por investigadores do Instituto Robert Koch em Berlim, e que recomendou só a imunização de adolescentes dos 12 aos 17 anos que tenham doenças preexistentes, não fazendo qualquer recomendação universal - ou seja, a vacina para todos.

França anunciou a decisão a 31 de maio e começou a vacinar a 15 de junho de forma universal. Itália avançou no mesmo dia com a decisão de vacinar todos adolescentes e o processo começou em junho. Até há pouco tinham sido vacinados 4,6 milhões de jovens, entre os 12 e os 19 anos. No Reino Unido, a vacina da Pfizer foi aprovada para os jovens dos 12 aos 15 anos a 4 de junho, após análise de segurança, qualidade e eficácia da vacina nesta faixa etária pela agência e pelo órgão consultivo independente do governo.

Em Espanha, a ministra da Saúde, Carolina Darias, afirmou em junho, numa entrevista ao canal de televisão TVE, a decisão de vacinar os jovens dos 12 aos 17 anos e que este processo iria começar duas semanas antes do início do período escolar, em setembro.

Do outro lado do mundo, a China autorizou o uso da sua vacina Coronavac, produzida pelo laboratório Sinovac, em crianças acima de 3 anos e até aos 17. O Japão aprovou o uso da vacina da Pfizer dos 12 aos 15 anos em maio, mas fez depender o avanço do processo depois da vacinação global de profissionais de saúde e de pessoas com 65 anos ou mais.

Em Singapura, a vacinação foi logo aprovada a partir dos 12 anos. No dia 3 de junho, Hong Kong anunciou a decisão de alargar a vacinação a jovens a partir dos 12 anos. O Dubai começou a vacinar dos 12 aos 15 anos em maio, depois de os Emirados Árabes Unidos terem aprovado a vacina para esta faixa etária. Em San Marino, a vacinação permanece aberta para maiores de 12 anos.

A Áustria, por exemplo, quer vacinar mais de 340 mil crianças de 12 a 15 anos até ao fim de agosto. A Suíça também aprovou a vacinação destes jovens a partir de julho. A Lituânia aprovou a vacinação para estes jovens em junho, a Roménia também já os está a vacinar e a Estónia pode começar a vacinar a partir de setembro. As Filipinas autorizaram a vacina da Pfizer para uso de emergência e em situações de crianças com doenças preexistentes logo em maio.

No mundo, os efeitos secundários das vacinas nesta faixa são idênticos aos dos adultos, mas foram registados casos de miocardite, inflamação do músculo do coração, sobretudo em jovens do sexo masculino.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG