O pior dia da pandemia. Mais de 10 mil novos infetados e recorde de mortes

Registaram-se 166 óbitos nas últimas 24 horas e foram internados mais 93 doentes, dos quais mais 16 a receber tratamento em Unidades de Cuidados Intensivos. No total estão internadas 4 653 pessoas com covid-19.

Segundo o boletim epidemiológico da Direção Geral da Saúde (DGS) deste sábado mais 166 pessoas perderam a vida devido ao novo coronavírus. O número mais elevado de óbitos tinha sido registado esta sexta-feira (159).

É o nono dia seguido com mais de 100 mortes diárias. O total de óbitos pelo novo coronavírus em Portugal é agora de 8 709.

O número de novos casos mantém-se acima dos 10 mil, embora com nova subida face a sexta-feira. Há hoje mais 10 947 pessoas infetadas, mais 166 que no dia anterior. Portugal totaliza até agora 539 416 casos desde o início da pandemia (março de 2020).

Os internamentos sobem há quase 15 dias consecutivos e com novos máximos. De acordo com o boletim deste sábado, há agora 4 653 pessoas internadas em enfermaria com covid-19, mais 93 do que na véspera. Portugal passou assim a barreira dos 4 500 internados e nunca houve tantas pessoas internadas em unidades de cuidados intensivos. Portugal tem 638 doentes em UCI, mais 16 do que o dia anterior.

Nas últimas 24 horas mais 8 477 pessoas recuperaram da doença (total é agora de 402 542). Quanto aos casos ativos não param de crescer - mais 2 304, num total de 128 165 - e os infetados sob vigilância subiram para 155 401, depois de mais 12 661 entrarem no sistema.

A maior parte dos novos casos de infeção está na faixa etária dos 40 aos 49 anos, sendo que as três faixas etárias mais jovens concentram um terço das novas infeções.

Há mais mulheres infetadas (296 379 contra 242 859 de homens), mas a mortalidade é superior nos homens (4 526 contra 4 183).

A região Norte registou o maior número de novas infeções (3 795), mas a Região de Lisboa e Vale do Tejo (RLVT)teve o maior número de novos mortos do país nas últimas 24 horas (69). Continua, ainda assim, a ser o Norte a registar mais óbitos ( 3 685) e de infetados (252 760), seguida da RLVT, com um total de 179 873 de infetados e 3 115 mortes desde o início da pandemia.

Segundo dados apresentados na reunião do Infarmed (terça-feira) o aumento de infeções em Portugal reflete a subida do valor médio do R(t), sendo que a região do Algarve é a que apresenta o valor mais elevado de transmissibilidade (1,29).

Os dados recolhidos entre 2 e 6 de janeiro dizem que o valor médio do R(t) em Portugal se fixou nos 1,22, o que significa que cada doente covid-19 estava a infetar em média mais do que uma pessoa. Porém, quando esse valor for atualizado deve ser bem superior uma vez que os casos diários têm subido vertiginosamente, passando a barreira das 10 mil infeções diárias.

Carga viral na saliva dita destino do infetado

Os primeiros resultados de um estudo da Yale University (EUA) indicam que a quantidade de vírus na saliva pode ajudar a prever as consequências da doença no infetado com Covid-19.

"A carga viral na saliva nos primeiros momentos está correlacionada com a gravidade da doença e com a mortalidade", diz a equipa da imunologista da Yale Akiko Iwasaki, que analisou exaustivamente 154 pacientes com Covid-19 no hospital universitário da cidade de New Haven.

De acordo com o El País, a análise destes investigadores mostra que os níveis virais aumentam progressivamente, de um mínimo em pacientes com sintomas leves, a um máximo em pacientes gravemente doentes e em pessoas que morreram de COVID.

A carga viral mais alta na saliva parece estar associada a fatores de risco conhecidos, como idade avançada, sexo masculino, cancro, insuficiência cardíaca, hipertensão e doenças pulmonares crónicas.

"Se tirássemos amostras de saliva e analisássemos a carga viral - principalmente no início da infecção, quando a pessoa chega ao hospital - poderia ajudar muito os médicos a prever o prognóstico do paciente e a escolher os tratamentos", diz o microbiologista espanhol Arnau Casanovas , que participou do novo estudo, que ainda aguarda revisão para ser publicado numa revista especializada.

A equipa liderada por Iwasaki argumenta que a saliva ajuda a prever a progressão da doença muito melhor do que amostras colhidas com um cotonete nasofaríngeo - a já conhecida zaragatoa inserida pelo nariz .

Estes investigadores defendem que estas amostras recolhidas com a zaragatoa apenas refletem a multiplicação do vírus no trato respiratório superior, enquanto a saliva também mostra a situação nos pulmões.

Uma "ligeira constipação"?

Um outro estudo, publicado na revista Science, sugere que ao longo do tempo o vírus que causa a covid-19 poderá traduzir-se numa constipação ligeira quando a maioria da população estiver vacinada.

Caso seja endémico, nunca desapareça, como muitos especialistas defendem, o coronavírus responsável pela pandemia de covid-19 poderá apenas causar "constipação ligeira" em crianças, sendo que os adultos deverão ficar assintomáticos.

É, pelo menos, o que indica o estudo publicado pela revista Science, no qual investigadores basearam-se num modelo matemático, que calcula a propagação do novo coronavírus.

Os cientistas consideram que o patogénico tem a tendência de atenuar-se quando a maioria da população estiver vacinada. "O nosso modelo sugere que esta transformação levará entre um a dez anos", afirma Jennie Lavine, investigadora da Universidade Emory, nos EUA, e autora principal do estudo, citada pelo jornal espanhol El País.

Tudo depende da velocidade com que o vírus se propaga e como decorre a campanha de vacinação, indica a mesma especialista. É necessário, defendem, os especialistas, manter as medidas para conter a propagação até que o processo de imunização fique concluído.

Diz o estudo que a partir do momento em que o vírus passa a ser endémico "e a exposição primária é na infância, o SARS-CoV-2 pode não ser mais virulento do que a gripe comum". Logo poderá ter uma letalidade inferior.

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