Madeira. Fim das moratórias poderá aumentar necessidades de apoio clínico, alerta psicólogo

Carlos Mendonça realçou ainda o papel levado a cabo pelas equipas psico-sociais no apoio às pessoas em confinamento profilático nas unidades hoteleiras referenciadas ou nas respetivas residências.

O fim das moratórias, no âmbito da pandemia, poderá provocar um aumento do número de pessoas a necessitar do apoio da psicologia clínica, admitiu esta quinta-feira o Coordenador da Unidade de Psicologia do Serviço de Saúde da Madeira (SESARAM).

Carlos Mendonça foi ouvido, em audição, na Comissão Especializada Permanente de Saúde e Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa Regional, requerida pelo PSD sobre "respostas públicas no âmbito da saúde psicológica dos utentes do Serviço Regional de Saúde".

"Aquilo que é esperado acontecer mais para o final do ano, até porque as coisas um dia terão de mudar e no que diz respeito, por exemplo às moratórias, estamos a prever que a gestão do lar e das contas da casa vão trazer alguma inquietação e, nesse sentido, a nossa resposta será de forma presencial e da melhor forma que pudermos", disse o psicólogo, alertando que o número de suicídios poderá eventualmente "aumentar".

"Temos já uma equipa de prevenção do suicídio a trabalhar de forma permanente no terreno", adiantou.

Uma moratória é um adiamento de um prazo, geralmente em relação ao vencimento de uma dívida.

Questionado sobre se a pandemia agravou os problemas na área da saúde mental e se a região dispõe dos elementos necessários para prestar apoio, Carlos Mendonça respondeu que a Madeira tem recursos em número muito superior aos que existe em Portugal continental.

"Aquilo que se passa em termos de resposta no Serviço Regional de Saúde é muito satisfatório pelos recursos humanos que tem e já o era antes da pandemia" de covid-19, considerou o médico.

Para Carlos Mendonça, "não há agravamento" porque as pessoas aguardam pelas circunstâncias normais para retomarem as consultas presenciais mas, diz notar, no primeiro trimestre deste ano, "uma maior intensificação da procura por parte dos utentes".

O Coordenador da Unidade de Psicologia do Serviço Regional de Saúde enunciou, como medidas importantes no período da pandemia, as linhas telefónicas de apoio psicológico, que no início eram quatro incluindo a do IASAÚDE, mas, com o tempo, foram sendo desativadas por falta de procura, existindo atualmente apenas duas.

"Desde há seis meses para cá, nós temos, na Linha de Apoio Psicológico do SESARAM , uma média de 22 chamadas mensais", revelou.

Carlos Mendonça realçou ainda o papel levado a cabo pelas equipas psico-sociais no apoio às pessoas em confinamento profilático nas unidades hoteleiras referenciadas ou nas respetivas residências.

Segundo a Direção Regional de Saúde (DRS), a Madeira tem um acumulado, desde 16 de março de 2020, de 9.152 casos confirmados de covid-19, 8.855 recuperados e 71 óbitos associados à doença.

Atualmente, há 226 casos ativos e 70 em investigação.

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