Vieira passa a noite na prisão. Em causa 100 milhões de euros

ATUALIZADA. Filho do presidente do Benfica também foi detido. Em causa estão suspeitas de crimes de burla qualificada ao Fundo de Resolução bancária, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.

Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, foi detido no âmbito dos negócios com o empresário José António dos Santos, conhecido como "rei dos frangos", que também terá sido detido.

O presidente do Benfica passa esta noite de quarta para quinta-feira na prisão, numa cela do comando da PSP em Moscavide.

Também os outros arguidos detidos -- o filho do líder benfiquista, Tiago Vieira, e o empresário de Braga que tratou da ida de Jorge Jesus para o Flamengo e do seu regresso ao clube da Luz, Bruno Macedo -- ficarão naquelas instalações, em celas individuais.

Todos deverão ser presentes a juiz de instrução esta quinta-feira.

Esta operação - que está a ser liderada pelo procurador Rosário Teixeira, do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), ​​​​​Paulo Silva, da Inspeção Tributária de Braga, e o juiz Carlos Alexandre - surge três dias depois de o clube encarnado ter lançado uma nova emissão obrigacionista com o objetivo de arrecadar 35 milhões de euros.

De acordo com um comunicado do DCIAP, "foram cumpridos cerca de 45 mandados de busca, abrangendo instalações de sociedades, domicílios, escritórios de advogados e uma instituição bancária" nas áreas de Lisboa, Torres Vedras e Braga.

Segundo o Sol, as buscas realizaram-se às instalações do Benfica, à sede do Novo Banco e a empresas ligadas ao empresário José António dos Santos, numa operação que está a ser levado a cabo por mais de uma centena de agentes da PSP e da Inspeção Tributária.

As quatro detenções foram "efetuadas atendendo aos indícios já recolhidos, com vista a acautelar a prova, evitar ausências de arguidos e a prevenir a consumação de atuações suspeitas em curso", revela o DCIAP.

Os detidos serão presentes, previsivelmente esta quinta-feira, a primeiro interrogatório judicial com vista à aplicação, considerando a gravidade dos crimes e as exigências cautelares, de medidas coação diferentes do termo de identidade e residência.

No processo investigam-se negócios e financiamentos em montante total superior a 100 milhões de euros, que poderão ter acarretado elevados prejuízos para o Estado e para algumas das sociedades.

Em causa estão factos ocorridos, essencialmente, a partir de 2014 e suscetíveis de integrarem a prática, entre outros, de crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento.

Segundo avança o Sol, Luís Filipe Vieira é igualmente suspeito do crime de abuso de confiança referente a ganhos milionários que obteve na venda de 25% do capital do Benfica SAD a um empresário estrangeiro.

O DCIAP adianta que, "no cumprimento dos mandados participaram 66 Inspetores Tributários, sendo 25 da Direção de Finanças de Braga, oito da Direção de Finanças do Porto, 26 da Direção de Finanças de Lisboa e dois da Direção de Serviços de Investigação da Fraude e de Ações Especiais (DSIFAE), para além de nove elementos do Núcleo de Informática Forense desta Direção".

Participaram ainda quatro magistrados do Ministério Público, três Juízes de Instrução Criminal e 74 polícias da PSP, 9 dos quais a exercerem funções no DCIAP.

O inquérito encontra-se em segredo de justiça.

O DN sabe que a administração da SAD do Benfica está reunida de emergência neste momento a debater o tema.

Entretanto, o denunciante Rui Pinto recordou no Twitter uma publicação da sua autoria de 29 de junho, em que referiu que, depois de Joe Berardo ser detido, Luís Filipe Vieira poderia ser um dos próximos. "Na sequência da detenção de Berardo, outros grandes devedores como Luís Filipe Vieira, Moniz da Maia, Gama Leão, Nuno Vasconcellos, entre outros, aperceberam-se de que poderão ser os próximos. Que seja feita justiça", escreveu.

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