É o mapa mais detalhado de sempre da Via Láctea. E foi feito em Lisboa

São mil milhões de estrelas, localizadas com precisão, um feito histórico para a Agência Espacial Europeia. O mapa foi concebido e criado em Lisboa

A Agência Espacial Europeia (ESA, em inglês) apresentou esta quarta-feira um catálogo que mostra a localização exata de mais de mil milhões de estrelas da Via Láctea, a nossa galáxia, com os dados recolhidos pela missão espacial Gaia.

Com a informação recolhida pelo satélite Gaia, que localizou 1142 milhões de estrelas, a ESA pretende criar um mapa 3D preciso da Via Láctea. O Gaia captou ainda as distâncias e os movimentos pelo universo de mais de dois milhões de estrelas na Via Láctea.

As primeiras versões deste mapa, em 2D, foram concebidas e criadas em Lisboa, pelo grupo CENTRA, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. O coordenador do grupo, André Moitinho de Almeida, explica ao DN que este é um trabalho que estão a fazer há quase seis anos e que o "grande desafio foi encontrar uma forma de tornar inteligível um conjunto tão grande de dados".

Uma das formas de tornar a informação interessante e inteligível foi criar um mapa interativo, a que o público pode aceder aqui.

"Com mais de mil milhões de estrelas, é o maior mapa de sempre feito a partir de uma única missão, e também é o mais preciso", disse Anthony Brown, um membro da equipe de pesquisa Gaia, numa conferência de imprensa em Madrid, segundo o jornal Le Figaro.

Os cientistas reconhecem o grande feito, mas afirmam que na verdade este catálogo representa menos de 1% das estrelas da Via Láctea, onde devem existir entre 100 e 200 mil milhões de estrelas.

"O Gaia está na vanguarda da astronomia, mapeando o céu com precisões que nunca foram alcançadas antes", afirmou Álvaro Giménez, diretor de Ciência da ESA, no site da agência. "O lançamento de hoje dá-nos uma primeira amostra dos dados extraordinários que nos esperam e que vão revolucionar a nossa compreensão de como as estrelas são distribuídas e se movem por toda a nossa galáxia", continua Giménez.

"Gaia vai medir com uma exatidão sem precedente as posições de mil milhões de estrelas, o que proporcionará pela primeira vez uma visão global da Via Láctea em 3D. Ao medir também as velocidades e outras características físicas dessas estrelas tais como temperaturas, luminosidades e idades, poderemos reconstruir parte da sua história e estudar a sua composição, formação e evolução", explica André Moitinho de Almeida.

A missão espacial Gaia foi lançada em dezembro de 2013, mas apenas começou a recolher dados em 2014, registando diariamente dados sobre 50 milhões de estrelas. Foram revelados agora os dados que o satélite recolheu durante os primeiros 14 meses a analisar o universo.

Notícia atualizada às 14:45. Incluída a informação sobre o grupo CENTRA, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

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