Lisboa duplica oferta de bicicletas. Utilização subiu 50% num ano

Enquanto o transporte público cai 60% em Lisboa, a micromobilidade está em alta. Câmara vai disponibilizar 1500 bicicletas Gira, apoiar a compra e reforçar rede de ciclovias.

Em Estado de Emergência e com ordem para ficar em casa não é de estranhar que a mobilidade das pessoas baixe drasticamente. E é isso mesmo que indicam os últimos dados do atual confinamento relativos a Lisboa, onde se registou "uma quebra da ordem dos 60% a 70% na utilização dos transportes públicos", revela o vereador para a Mobilidade, Economia, Segurança e Inovação da Câmara Municipal de Lisboa. Segundo Miguel Gaspar, a quebra também foi significativa no uso do carro individual, embora menor, entre os 40% e os 60%, dependendo das fontes consideradas.

"Estamos a falar da mesma ordem de grandeza verificada no primeiro confinamento de março e abril de 2020".

O que é curioso neste lockdown é "a subida exponencial das bicicletas, mesmo apesar de janeiro ter sido um mês excecionalmente frio", observa o vereador em declarações ao DN. Na verdade, entre janeiro de 2020 e janeiro último, a utilização de bicicletas na cidade terá crescido mais de 50%, de acordo com os sensores situados na Avenida Duque D'Ávila, ou cerca de 25%, segundo um estudo conduzido pelo Instituto Superior Técnico. Seja como for, o número de ciclistas tem vindo a subir de forma consistente nos últimos doze meses, conclui Miguel Gaspar.

"Esta evolução revela que, apesar de confinadas, as pessoas estão a procurar formas alternativas e mais sustentáveis de viver a cidade, beneficiando nomeadamente das melhorias feitas no espaço público com esse propósito, como, por exemplo, no eixo central".

Se é verdade que existe uma tendência real de aumento do uso da bicicleta a nível global, que a pandemia acentuou, ela só será sustentável com mais investimento em ciclovias e numa rede de bicicletas partilháveis. E é isso mesmo que Lisboa está a fazer, garante Miguel Gaspar, que se prepara para mais do que duplicar a oferta de bicicletas na capital já nos próximos meses e reforçar a rede de ciclovias.

O município disponibiliza atualmente o sistema de bicicletas partilhadas GIRA, operado pela EMEL, que conta com 600 veículos e 81 estações em funcionamento. Mas, com as adjudicações em curso e as previstas para muito breve, entre março e abril as bicicletas deverão passar para cerca de 1500, ou seja, mais do dobro que as que existem hoje. E com a particularidade de "já serem todas elétricas e adaptadas para carrinhos de bebés", sublinha o vereador.

Também as estações vão duplicar já até abril para as 160 e até ao verão poderão chegar às 210, quando estiver concluído o concurso público, aberto no final do ano passado, revelou o autarca.

Chegar aos 200 km de ciclovias

As boas notícias para os adeptos da micromobilidade não se ficam por aqui. Miguel Gaspar revelou a intenção de levar, ainda este mês, a reunião camarária uma proposta para manter o programa de incentivos à aquisição de bicicletas, que teve um interregno, com efeitos retroativos a 31 de dezembro. No ano passado este programa apoiou com três milhões de euros a compra de bicicletas, adiantou.

Este ano haverá novidades: os apoios podem ser extensíveis a associações e pessoas coletivas e podem apoiar também a aquisição das cargo bikes, bem como equipamentos de segurança, como cadeiras de bebé ou custos de reparação.

Para acompanhar e promover esta tendência de crescimento na chamada mobilidade suave, a autarquia lisboeta tem também em curso um plano de reforço da rede de ciclovias, que promete mudar a face da cidade muito em breve. "O objetivo é chegar aos 200 km de ciclovias", admitiu Miguel Gaspar.

Em meados deste mês arrancará um conjunto de vias que ligará Campo de Ourique ao Lumiar e a Santa Clara, outro que ligará a Praça de Espanha a São Domingos de Benfica, em março será a vez de Marvila, depois Carnide, Telheiras, Colombo. Em curso e em fase de conclusão estão outras obras como a ciclovia que liga o Parque de Campismo de Lisboa a Pina Manique, ou a da Avenida Almirante Reis, Avenida de Berna e Avenida da Índia, com conclusões previstas entre fevereiro e março.

Micromobilidade sofre abalo dinâmico

Apesar de a pandemia ter incentivado o uso da bicicleta própria, o mercado das empresas de mobilidade partilhada, desde as bicicletas às trotinetes, sofreu um abalo significativo com os sucessivos confinamentos totais ou parciais e, sobretudo, com a ausência do turismo. Se nos últimos anos cresciam como cogumelos e chegaram a existir sete operadores a atuar em Lisboa, com milhares de bicicletas e trotinetes, neste momento de pico pandémico e confinamento estão apenas quatro a operar.

Uma das maiores, a multinacional Lime (comprou a Jump, que entretanto saiu de Lisboa) testemunha uma redução de cerca de 50% na sua taxa de atividade em Lisboa no atual confinamento, embora se mantenha ativa. Mas sublinha que em junho, após o primeiro confinamento, registou um aumento de 100%. Como refere Miguel Gaspar, "este mercado é muito dinâmico, tal como há empresas a sair, também há outras a pedir licenciamento".

Em todo o caso, a pandemia veio mostrar que o serviço ligado ao sistema público é mais resiliente, remata o autarca.

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