Lacerda Sales: "Queremos ter 2,5 milhões de pessoas vacinadas com terceiras doses em janeiro"

Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, a Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, e o Coordenador do Núcleo de Coordenação do Plano de vacinação contra a Covid-19, Coronel Carlos Penha-Gonçalves, fazem esclarecimentos em conferência de imprensa

O Ministério da Saúde tem como objetivo vacinar 2,5 milhões de pessoas com terceiras doses de vacinas contra a covid-19 em janeiro, revelou o Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales.

"Mais de 800 mil foram vacinadas com dose de reforço da covid-19 e mais de 1 milhão e 600 mil foram vacinas contra a gripe. São pessoas que hoje estão mais protegidas. Estamos a promover um incremento de doses diárias. Vacinaremos 1 milhão e 500 mil pessoas na primeira fase e alargaremos o plano para que em janeiro tenhamos 2,5 milhões de pessoas vacinadas com terceiras doses. Para isso, abriremos os centros de vacinação nos dias 5, 8, 12 e 19 de dezembro para pessoas com mais de 50 anos que tenham sido vacinados com a vacina da Janssen. Vamos vacinar primeiro os mais vulneráveis", afirmou em conferência de imprensa.

"Ontem fizemos mais de 90 mil pessoas, que correspondem a 60 a 70 mil pessoas, porque há quem esteja a fazer dupla inoculação", acrescentou o governante, admitindo uma pressão suplementar na vacinação na época de Natal.

Já a Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, revelou que a "Agência Europeia do Medicamento (EMA) vai publicar amanhã um parecer sobre a vacinação de crianças entre os cinco e os onze anos". "É uma vacina pediátrica", acrescentou, defendendo "fortemente" a vacinação e garantindo ter total confiança na vacinação, ainda que admitindo "alguma reação adversa" como "todos os medicamentos".

"Apesar de a EMA decidir a aprovação da vacina, cada país tem de olhar para a sua realidade. Não é automático. Cada país tem o seu próprio timing e as suas indicações", referiu, explicando que Portugal está dependente dos prazos de entrega da Pfizer para saber quando vai começar a vacinar crianças entre os cinco e os onze anos.

A Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla em inglês) anunciou a 18 de outubro que começaria a avaliar a administração da vacina Comirnaty, da farmacêutica Pfizer/BioNTech (atualmente autorizada em pessoas com 12 ou mais anos), em crianças entre os 5 e os 11 anos.

Outras duas vacinas para crianças abaixo dos 12 anos estão já a gerar dados: Spikevax (Moderna) e Vaxzevria (AstraZeneca).

O parecer da EMA deve ser conhecido na quinta-feira e será depois transmitido à Comissão Europeia, que emitirá uma decisão final.

A generalidade dos países tem optado por não vacinar as crianças antes dos 12 anos, mas há exceções, desde logo a China, epicentro do vírus Sars-CoV-2, em dezembro de 2019.

Em junho deste ano, o regulador chinês autorizou a administração de duas das suas vacinas - Sinopharm e Sinovac - em crianças entre os 3 e 17 anos e, em agosto, aprovou outra marca.

O Camboja já está a usar as vacinas chinesas em crianças entre os 6 e os 11 anos.

Cuba também já começou a imunizar crianças pequenas, com as vacinas produzidas nacionalmente, e a Venezuela iniciou a vacinação de 3,5 milhões de crianças entre os 2 e 11 anos, com a cubana Soberana II.

O Chile tornou-se no primeiro país da América Latina, e o segundo no mundo (a seguir à China), a autorizar o uso da vacina chinesa CoronaVac em crianças e, na Argentina, a vacina da Sinopharm pode ser administrada em crianças a partir dos 3 anos.

O caso de maior notoriedade de vacinação infantil é o dos Estados Unidos, onde a taxa de imunização global é baixa e os casos de infeções em crianças aumentaram dramaticamente desde que a variante Delta se propagou no país.

Também o Canadá já aprovou a vacina infantil da Pfizer e, à semelhança dos Estados Unidos, reduziu as doses para um terço da quantidade administrada a adolescentes e adultos.

Na Europa - atualmente a única região geográfica com aumento de casos de infeção -, ainda são poucos os casos de administração em crianças menores de 12 anos.

Duas centenas de crianças com idades entre os 5 e os 11 anos começaram a ser vacinadas em Viena, capital da Áustria, como parte de um projeto-piloto, mas o alargamento à escala nacional está dependente da luz verde da EMA.

Em Itália, aguarda-se a mesma indicação para dar início à vacinação a partir dos 5 anos.

Já na Alemanha, que enfrenta a maior incidência semanal de infeções desde o início da pandemia, ainda não se recomendou a vacinação de menores de 12 anos e isso não deve acontecer antes de meados de dezembro.

Ainda que a EMA emita um parecer favorável à vacinação de crianças entre os 5 e os 11 anos (e que a Comissão Europeia o valide), tal não implica que os Estados avancem nesse sentido, tratando-se apenas da indicação do regulador sobre a segurança e a eficácia da vacina.

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