Exclusivo Jorge Borges de Macedo (1921-1996). O historiador que pensou o lugar de Portugal no mundo

Tinha na Faculdade de Letras de Lisboa uma reputação de extrema exigência. Mas o que agora sobressai é a atualidade do contributo de Jorge Borges de Macedo para as Ciências Humanas, em geral, e para a História de Portugal, em particular.

Conta um seu antigo aluno que, certo dia, em aula, alguém perguntou a Jorge Borges de Macedo por que razão usava poucas notas de rodapé nos seus textos, ao contrário do que é habitual em trabalhos académicos. A resposta não se fez esperar: "As notas de rodapé são os andaimes. Quando a obra está terminada, estes devem ser retirados." Autor de uma vastíssima bibliografia - ao todo são mais de 500 títulos repartidos entre livros, artigos ou conferências - Jorge Borges de Macedo, nascido em Lisboa, a 3 de março de 1921, filho de José de Macedo, secretário-geral do Partido Republicano Radical, foi, com Joel Serrão e Vitorino Magalhães Godinho, um dos jovens historiadores que, no pós-Segunda Guerra Mundial, começaram a pôr em causa alguns dos pressupostos oitocentistas em que a historiografia portuguesa ainda era pródiga.

Para Álvaro Costa de Matos, professor da Faculdade de Letras de Lisboa, seu antigo aluno e mais tarde, assistente: "O centenário do nascimento é um bom pretexto para voltarmos a falar da obra historiográfica dele, alguma marcada por uma grande atualidade. Em Borges de Macedo é sempre de destacar a inovação hermenêutica, o recurso a novas fontes e uma preferência clara pela problematização." E dá como exemplo o livro O Bloqueio Continental: "Ele desmonta os supostos efeitos negativos do Bloqueio Continental imposto por Napoleão no princípio do século XIX, contrariando a tese estabelecida por Oliveira Martins. Mas também foi um ensaísta de exceção, um pedagogo, um tradutor, um intelectual de referência."

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