Joe Berardo passou mais uma noite na prisão. Interrogatório continua na quinta-feira

Há mais quatro crimes imputados ao empresário e ao seu advogado, que vão passar mais uma noite detidos, no âmbito de um processo que tem 11 arguidos, entre os quais o filho de Joe Berardo.

O interrogatório a Joe Berardo e ao seu advogado, André Luíz Gomes, vai continuar na quinta-feira, pelo que vão passar mais uma noite detidos,

Os dois foram presentes esta quarta-feira ao juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), Carlos Alexandre, que interrompeu as diligências do processo em que são arguidos o empresário Joe Berardo e o seu advogado, André Luíz Gomes, ambos detidos na terça-feira.

Fonte ligada ao TCIC, que funciona na antiga sede da Polícia Judiciária, em Lisboa, confirmou à Lusa que o juiz Carlos Alexandre já abandonou o edifício, permanecendo ainda no interior os advogados Paulo Saragoça da Matta e João Costa Andrade, respetivamente mandatários de Joe Berardo e André Luíz Gomes.

O empresário e André Luíz Gomes, detidos na terça-feira, vão responder por mais quatro crimes para além daqueles de que já eram suspeitos, exceto administração danosa.

Segundo informação veiculada pelo Conselho Superior da Magistratura (CMP) a pedido do juiz do Tribunal Central Criminal (TCIC) Carlos Alexandre, o empresário e o seu advogado de negócios vão passar a responder também por falsidade informática, falsificação, abuso de confiança qualificada e descaminho ou destruição de objetos colocados sob o poder público.

Estes crimes juntam-se àqueles que já lhes eram atribuídos, envolvendo burla qualificada, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.

De fora dos ilícitos imputados a Joe Berardo e a André Luíz Gomes ficou o crime de administração danosa, do qual deverá ser indiciado um dos restantes arguidos.

Processo conta com 11 arguidos. O filho de Berardo é um deles

Segundo informação do juiz Carlos Alexandre veiculada pelo CSM, os arguidos foram apresentados ao TCIC às 16:00 e começaram a ser ouvidos às 17:15.

O processo que levou à detenção de Joe Berardo conta com 11 arguidos, dos quais seis são empresas e cinco individuais.

Fonte ligada ao processo disse à Lusa que, dos cinco arguidos individuais apenas dois estão detidos, Joe Berardo e o seu advogado, André Luíz Gomes.

Além de Berardo e do advogado, o DN sabe que os restantes arguido são: Renato Berardo (filho do empresário madeirense), Carlos Santos Ferreira (ex-presidente da CGD e do BCP) e Fátima Teixeira (contabilista no Funchal). As entidades que foram constituídas arguidas são: a sociedade de advogados de André Gomes, a Metalgeste, a Associação de Coleção Berardo, a Moagens e Associadas SA, a Associação Coleção Berardo e a Sociedade Imobiliária ATRAM.

O caso foi tornado público depois de uma operação em que foram feitas cerca de meia centena de buscas, 20 domiciliárias, 25 não domiciliárias, três a estabelecimentos bancários e uma a escritório de advogado, tendo ainda sido emitidos dois mandados de detenção, visando o empresário e o seu advogado de negócios e de longa data André Luíz Gomes.

Operações de financiamento terão causado um prejuízo de quase mil milhões de euros à CGD, ao Novo Banco e ao BCP

Segundo comunicados da PJ e do DCIAP, nesta investigação, que decorre no âmbito do denominado processo Caixa Geral de Depósitos (CGD), existem suspeitas da prática de administração danosa, burla qualificada, fraude fiscal qualificada, branqueamento e, eventualmente, crimes cometidos no exercício de funções públicas.

A PJ esclareceu que se trata de um grupo "que entre 2006 e 2009 contratou quatro operações de financiamentos com a CGD, no valor de cerca de 439 milhões de euros" e que terá causado "um prejuízo de quase mil milhões de euros" à CGD, ao Novo Banco e ao BCP.

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