Joe Berardo detido por suspeitas de burla, fraude fiscal e branqueamento de capitais

Em causa a forma como conseguiu obter empréstimos da Caixa Geral de Depósitos. Calcula-se um prejuízo de "quase mil milhões de euros". Advogado André Luís Gomes também detido.

O empresário Joe Berardo e o seu advogado André Luís Gomes foram esta terça-feira detidos no âmbito de uma operação que visou "um grupo económico" que terá lesado vários bancos

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou que, através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção e com apoio de outras unidades, em inquérito a correr termos no DCIAP, desencadeou durante esta terça-feira, em Lisboa, Funchal e Sesimbra, uma operação no âmbito de investigação, em curso, pela suspeita da prática dos crimes de administração danosa, burla qualificada, fraude fiscal e branqueamento.

Esta operação envolveu 180 profissionais, 138 da PJ, 26 da Autoridade Tributária, 9 do Ministério Público e 7 juízes de instrução criminal.

Foram efetuadas 51 buscas, sendo, 22 buscas domiciliárias, 25 buscas não domiciliárias, três buscas em instituições bancárias e uma busca num escritório de advogados, informou a PJ em comunicado.

A investigação iniciada em 2016, identificou procedimentos internos em processos de concessão, reestruturação, acompanhamento e recuperação de crédito, contrários às boas práticas bancárias e que podem configurar a prática de crime.

A operação da PJ incidiu "sobretudo num grupo económico, que entre 2006 e 2009, contratou 4 operações de financiamentos com a Caixa Geral de Depósitos, no valor de cerca de 439 milhões de euros".

"Este grupo económico tem incumprido com os contratos e recorrido aos mecanismos de renegociação e reestruturação de dívida para não a amortizar" e "causou um prejuízo de quase mil milhões de Euros à CGD, ao NB e ao BCP, tendo sido identificados atos passiveis de responsabilidade criminal e de dissipação de património", refere a PJ, sem identificar o grupo ou as pessoas envolvidas.

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