ISCTE lança MBA pioneiro em Gestão Sustentável

Curso tem uma duração de 15 meses e a primeira turma começa as aulas em abril. Diretora do programa é uma mulher e 70% do corpo docente é do sexo feminino.

Esteve para começar já em janeiro, mas por força da pandemia o primeiro MBA em Gestão Sustentável do país vai ter o seu início em abril, caso não existam mais contratempos, e será lecionado no ISCTE Executive Education. O curso tem uma duração de 15 meses e as turmas terão entre 20 a 30 alunos, nacionais e internacionais.

"Este MBA em Sustainable Management nasce, por um lado, porque acreditamos, enquanto instituição de ensino, que temos uma responsabilidade de trazer para os participantes as melhores práticas e aquilo que é feito em termos de gestão e trazer a sustentabilidade para a forma como as empresas são geridas. Por outro lado, há também um sentido de urgência, estamos a falar de uma temática cada vez mais importante e crítica nos dias de hoje e que passa pelo papel que as empresas e as organizações em geral podem ter neste caminho para um futuro melhor. Há um sentido de pressão, no sentido em que há cada vez mais procura por este tipo de programas que assentam a sua matriz numa gestão que é mais responsável, uma gestão que coloca a sustentabilidade no centro da estratégia", explica ao DN Ana Simaens, a diretora do programa deste MBA do ISCTE.

Lecionado em inglês, o curso é dirigido a quem já trabalha na área da sustentabilidade "que querem aprender novos métodos", mas também a pessoas que "não estando necessariamente a trabalhar na área, reconhecem que a gestão de hoje e de amanhã será moldada pela necessidade desta gestão mais responsável e que se preparam de antemão com competências na área da gestão que já estão filtradas pela lógica mais responsável e sustentável", acrescenta a professora da ISCTE Business School, adiantando que irão receber alunos nacionais e internacionais e que o panorama dos inscritos em termos de género está equilibrado.

O programa deste MBA em Gestão Sustentável está organizado em três grandes pilares que são conhecimento, competências e atitude e as aulas serão ministradas durante 12 meses, com as normais pausas letivas. No final, os alunos terão de fazer um projeto aplicado em sustentabilidade e que terá a duração de três meses. "Vamos trabalhar a dimensão do conhecimento, e aí temos uma série de unidades curriculares que passam pela estratégia de negócio sustentável, pela ciência de dados para a sustentabilidade, marketing e sustentabilidade, economia e sustentabilidade, finanças sustentáveis, operações e logística, contabilidade, recursos humanos. No fundo, as disciplinas de conhecimento base de um curso de gestão. Qual é a particularidade deste programa? É que são conhecimentos que estão filtrados desde a sua base pela lente da sustentabilidade", refere Ana Simaens.

Professores e pessoas da área

No bloco respeitante às competências, as cadeiras são optativas, e passam por temas como governação para a sustentabilidade, pensamento sistémico para a sustentabilidade, empreendedorismo ligado à sustentabilidade. "Uma cadeira também extremamente importante nos dias de hoje é a transformação dos negócios em digital, e como é que podemos fazer essa transformação de uma forma mais sustentável, e economia circular, como perceber as lógicas de economia circular aplicadas à gestão", adianta a docente do ISCTE. "Nas atitudes vamos trabalhar também a dimensão individual, não com unidades curriculares específicas, mas sim ao longo das várias sessões, dos vários workshops, seminários, em que se vai trabalhar a vertente individual, o indivíduo, a sua atitude, o seu mindset para a sustentabilidade".

Além da particularidade de ser o primeiro MBA em Portugal em Gestão Sustentável, este curso tem ainda o facto distintivo de ser liderado por uma mulher e 70% do seu corpo docente ser do sexo feminino. Algo que, Ana Simaens, a diretora do programa, garante ter surgido de forma natural. "Não tenho uma explicação demasiado lógica, se não que sendo uma situação que nos preocupa em qualquer âmbito da sociedade, não aconteceu com a intenção de dizer "a Ana vai coordenar o programa porque é mulher". Foi algo que surgiu naturalmente e que acredito que terá a suas vantagens por ser relativamente equilibrado em relação à participação. Estamos a falar de um corpo docente que é da casa, que vão assegurar toda a qualidade científica e pedagógica do programa", justifica a docente. "A participação em cada unidade curricular será complementada por participantes vindos da academia ou da indústria, que vêm trazer o seu cunho pessoal e profissional. Os participantes vão encontrar-nos a nós enquanto corpo docente, mas vão ter acesso a um conjunto variado de pessoas".

ana.meireles@dn.pt

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