Helena Fazenda afinou coordenação com PJ e GNR

Do terreno sucedem-se relatos de descoordenação entre GNR e PJ na operação de captura do suspeito dos homicídios, há 10 dias em fuga

A secretária-geral do Sistema de Segurança Interna (SSI), procuradora Helena Fazenda, chamou ontem ao seu gabinete dois altos dirigentes da Polícia Judiciária (PJ) e da GNR - o diretor nacional adjunto, Pedro do Carmo, e o comandante operacional da Guarda, major-general Rui Moura -, para fazer um "ponto de situação" sobre os crimes de Aguiar da Beira e reforçar a coordenação.

De acordo com várias fontes ouvidas pelo DN, esta foi a primeira reunião no âmbito do SSI, especificamente para falar da operação que está a decorrer para capturar o suspeito dos dois homicídios que aconteceram há já 10 dias, com Pedro Dias em fuga.

O encontro, que decorreu de manhã nas instalações do SSI, na Avenida Defensores de Chaves, aconteceu no mesmo dia em que o DN dava conta do "desconforto" no governo com a "descoordenação" no terreno entre estas polícias. A PSP, que tem a responsabilidade da segurança em zonas urbanas localizadas dentro do perímetro que tem estado a ser alvo de buscas (como é o caso de Vila Real), não foi convocada.

Fonte autorizada do SSI confirmou ao DN a realização da reunião de Helena Fazenda com aqueles altos dirigentes, mas frisou ter-se tratado de uma "reunião de rotina, igual a tantas outras já realizadas".

O ex-secretário-geral do SSI, juiz conselheiro Mário Mendes, tinha salientado as "falhas de coordenação bastante grandes" nesta "caça ao homem" e criticado a falta de atuação da sua sucessora, lembrando que, "dada a gravidade da situação", devia, pelo menos, ter convocado uma reunião de urgência do Gabinete Coordenador de Segurança" com polícias e secretas.

Do terreno continuam a chegar relatos de descoordenação, contrariando a posição oficial quer de Helena Fazenda quer do governo, que, através da ministra da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques, e da ministra da Justiça, Francisca van Dunem, desmentiu. "Não há descoordenação nem desconforto de nenhum membro do executivo", afirmou Maria Manuel Leitão Marques.

Numa resposta escrita ao DN sobre qual tem sido o seu papel no âmbito das suas competências de coordenação e articulação entre as polícias, a secretária-geral do SSI diz que, "perante o enquadramento de violência extrema que levou à perda de vidas humanas e de feridos graves, desde o início que se vem desenvolvendo a cooperação e a articulação entre as entidades mais diretamente envolvidas: a PJ e a GNR". Alega ainda a secretária-geral que "esta articulação e cooperação vem sendo consolidada e ajustada à medida das superiores necessidades e exigências da investigação criminal". Nesse contexto, "têm vindo a ser reforçados os mecanismos de cooperação, colaboração e articulação entre o serviço e a força de segurança, diretamente implicados, através dos respetivos dirigentes máximos".

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, sublinhou, por seu lado, que "o motivo de preocupação é Pedro Dias não ter ainda sido detido".

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