Guia de Cuidados de Saúde e de apoio Social Pós-Incêndio

Quando o fogo acaba há que ter outros cuidados. O DN publica aqui um Guia de Cuidados de Saúde e de Apoio Social realizado em parceria com a Direção-Geral da Saúde

A vivência de uma situação traumática como a do incêndio que afetou os concelhos de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos impõe alguns cuidados de saúde e atenção redobrada a certos sinais. O DN, com informação da ARS do Centro e da Direção-Geral da Saúde, publica este guia com o que é essencial para gerir uma situação destas. Só assim o acesso à saúde e ao apoio social será célere. Os serviços referidos estarão em funcionamento até ao princípio de outubro.

MEDIDAS DE PROTEÇÃO DE SAÚDE PÚBLICA
Se estiver sem abastecimento de água potável, recomenda-se:
- Utilizar água engarrafada para ingestão e confeção de alimentos.
- Preparar alimentos consumidos crus com água desinfetada com cloro (duas gotas de lixívia por um litro de água).
- Utilizar a água de poços, tanques e ribeiras apenas para rega e lavagens.
- Utilizar água potável para lavagem de dentes (desinfetada com cloro, fervida ou engarrafada.
- Antes de voltar a utilizar a água dos poços e furos, aconselhe-se com o seu o delegado de saúde. - Poderão ser solicitadas análises da água aos furos e poços, confirmada a sua potabilidade, pode ser utilizada.
- Fique atento às informações da câmara municipal ou da entidade distribuidora de água.

No caso de os sistemas de tratamentos de águas residuais individuais (exemplo: fossas sépticas) não estarem em condições de utilização, deve contactar a câmara municipal da sua zona.

Cuidados a ter com os resíduos urbanos (lixo doméstico):
- Devem ser colocados em sacos devidamente fechados.
- Os sacos com os resíduos devem ser colocados em contentores bem fechados. Na impossibilidade, devem ser utilizados recipientes rígidos com tampa.
- Fique atento às informações da câmara municipal ou da entidade gestora dos resíduos.

CUIDADOS A TER

A nível individual
- Permanecer duas a horas horas por dia num ambiente fresco ou com ar condicionado.
- Aumentar a ingestão de água.
- Em períodos de maior calor, tomar um duche de água tépida ou fria - evitar mudanças bruscas de temperatura.
- Diminuir esforços físicos e repousar frequentemente em locais frescos e arejados.
- Não hesitar em pedir ajuda a um familiar ou a um vizinho no caso de se sentir mal ou de solidão.
- Cumprir a medicação de acordo com a prescrição, mantendo-a em locais frescos e ter reserva de medicamentos. Não tome medicamentos por sua iniciativa.
- No caso de haver poeiras no ar, utilizar máscaras de proteção ou lenços húmidos.

Os grupos considerados mais vulneráveis são: crianças, idosos, doentes crónicos; acamados e/ou imobilizados, habitantes isolados e trabalhadores expostos ao sol.

A nível familiar
- Privilegiar uma alimentação variada e equilibrada e em quantidades adequadas, favorecendo o consumo de alimentos com elevado teor de água (sopas, fruta, e sumos naturais).
- Evitar a permanência em viaturas expostas ao sol.
- Dar especial atenção a crianças, doentes, idosos e também a animais.
- Contactar sempre que possível familiares e amigos. Perceber se necessitam de algum tipo de apoio.
- Se houver familiares a fazer medicação, assegure-se de que não a interrompem e que seguem a prescrição médica.

A nível comunitário
- Adequar comportamentos de proteção face aos alertas.
- Recorrer a canais de comunicação imediata (telemóvel, internet, redes sociais, rádio, televisão).
- Seguir as recomendações das autoridades.
- Identificar vizinhos em situação crítica (doentes, idosos, debilitados) e alertar as autoridades competentes.
- Em caso de emergência contactar o 112 e Saúde 24 (808 242424).

Os técnicos da Saúde 24 farão o aconselhamento e a triagem das situações expostas.

Mais informações podem ser recolhidas em www.dgs.pt

COMO CHEGAR AOS SERVIÇOS DE SAÚDE?
Os Centros de Saúde de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e de Figueiró dos Vinhos encontram-se em condições de prestar apoio continuado às populações atingidas pelo incêndio de 17 de junho.
As equipas dos serviços já definiram os grupos mais vulneráveis, que serão alvo de atenção especial; pessoas sós ou isoladas, que perderam familiares, que perderam o emprego ou os bens essenciais; pessoas expostas ao stress na sua ação profissional, bombeiros e profissionais de saúde, bem como as que sintam necessidade de recorrer aos serviços. Para o efeito, além do reforço das unidades de saúde concelhias e das equipas multidisciplinares, coordenadas pelas comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), foi destacada uma unidade móvel de saúde pública para o apoio às populações, com médicos, enfermeiros e técnicos ambientais.

Atendimento
Os centros de saúde de Pedrógão Grande e de Castanheira de Pera estarão a funcionar das 8.00 e das 8.30, respetivamente, até às 20.00, segundas e quartas. Terça, quinta e sexta encerram às 18.30. O centro de Castanheira de Pera funcionará normalmente das 8.00 às 18.30, todos os dias. Fins de semana e feriados estão todos abertos das 8.00 às 18.30. Para atendimento complementar, e no âmbito do protocolo da ARS do centro com a Fundação Nossa Senhora da Guia, no Avelar, os horários são os seguintes: das 24.00 às 8.00, dias úteis, e das 19.00 às 10.00, fins de semana e feriados.

Atendimento Domiciliário
Os centros de saúde referidos dispõem de consultas e tratamentos domiciliários. Basta contactar estes serviços para aceder aos cuidados de que necessita, quer por parte das equipas de saúde familiar quer das Unidades de Cuidados na Comunidade.

Psiquiatria Comunitária
A equipa de Saúde Mental Comunitária, sediada no Centro de Saúde de Figueiró dos Vinhos, tem consultas programadas para os utentes seguidos habitualmente naquela unidade e já reforçou o atendimento destinado às pessoas que integrem os grupos mais vulneráveis. Estas equipas atenderão também os utentes que sem agendamento se dirijam ao centro de saúde em situação de crise.
A referenciação será feita preferencialmente pelas Unidades de Cuidados na Comunidade, mas estas equipas atenderão também os utentes que sem agendamento se dirijam ao centro de saúde em situação de crise.

Assistência Partilhada
A Unidade de Recursos Assistenciais Partilhados (URAP) tem ao dispor da população técnicos de serviço social, psicólogos, fisioterapeutas e nutricionistas para aconselhar e tratar as situações sinalizadas. O atendimento no âmbito do serviço social com vista à intervenção na área psicossocial também já foi reforçado.

Contactos dos centros de saúde e dos delegados de saúde do Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Interior Norte
Centros de Saúde CS Castanheira de Pera 236432333 l CS Figueiró dos Vinhos 236551727 l CS Pedrógão Grande 236488070 Delegados de Saúde Dinarte Nuno Viveiros 962845715 l Graça Correia 966389357 l Henrique Mendes 966389482 l Maria Guiomar Sarmento 961773537 l Natércia Veloso 915907399 l Pedro Almeida e Sousa 966389762 l Queimadela Baptista 966134452


ATENDIMENTO E ACOMPANHAMENTO SOCIAL
O apoio da Segurança Social está a ser assegurado, desde 26 de junho, por equipas de ação social nos serviços locais existentes nos concelhos afetados - Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande. As equipas de atendimento foram reforçadas em número para garantir o acompanhamento regular das vítimas. Este acompanhamento contemplará:
- Atendimento permanente, por marcação e espontâneo.
- Avaliação diagnóstica de necessidades, danos e perdas.
- Acompanhamento regular sempre que se justificar ou for solicitado para as situações sinalizadas ou a sinalizar.
- Avaliação e atribuição de subsídios e prestações sociais e familiares, com apoio no preenchimento de requerimentos.
- Visitas domiciliárias sempre que se justificar em articulação com os serviços de saúde, autarquias, GNR, IPSS, etc.
- Encaminhamento e articulação com a rede local de intervenção.

Quem esteja impossibilitado ou tenha dificuldade em se deslocar aos serviços locais pode usar a Linha Nacional de Emergência Social - 144


APOIO EMOCIONAL: O QUE FAZER?

A saúde e o bem-estar psicológico podem ser afetados pelo vivenciar de uma catástrofe natural com a dimensão do incêndio de Pedrógão.

As respostas emocionais são usualmente intensas e diferentes entre cada pessoa, quer seja criança, adulto ou idoso. Cada um, à sua maneira, pode sentir medo, ansiedade e até vulnerabilidade. Importa assim estar atento a alguns sinais e conhecer as respostas que permitirão lidar com a situação de forma mais eficaz.

CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Cada um experiencia o que aconteceu à sua maneira, mas é usual sentirem-se: tristes, ansiosos e preocupados com o que pode vir a seguir.

Cada um pode sentir vontade de chorar ou de bater em alguém.

Irritados e zangados com o que aconteceu.

Com medo de que volte a haver um incêndio ou que alguém desapareça, medo de ser separado da família e dos amigos.

Com vontade de não largar os pais, irmãos, amigos ou professores "nem por um segundo". Ou, por outro lado, com vontade de ficar sozinho, longe de todos.

Confuso por a rotina do dia-a-dia ter sido temporariamente alterada.

Sentir-se doente, com dores de cabeça ou dores de barriga.

Como se pode ajudar?

Falar sobre o que aconteceu e sobre receios e preocupações.

Aceitar que está a sentir coisas que não costuma e que esses sentimentos são dolorosos.

Encontrar forma de fazer atividades com familiares e amigos, coisas de que goste.

Lembrar que não é responsável ou culpado pelo que aconteceu à sua volta

Normalmente, as respostas emocionais intensas ao acontecimento começam a desvanecer-se após algumas semanas.

ADULTOS

O choque e a negação são respostas imediatas normais.

Os sentimentos podem tornar-se intensos e imprevisíveis. Pode sentir-se mais irritável do que o habitual e ter mudanças de humor repentinas. Sentir-se particularmente ansioso, nervoso, assustado, angustiado ou muito triste.

Os padrões de pensamento e comportamento podem ser afetados. Pode haver memórias vividas e repetidas do incêndio. Estas podem ocorrer em qualquer altura e levar a reações físicas (coração acelerado ou suar). Pode sentir dificuldade de concentração ou de tomar decisões, de dormir e de comer.
As relações interpessoais podem tornar-se tensas: discutir com familiares ou amigos, isolar-se, sentir-se incapaz de agir ou de tomar providências para responder às necessidades.

Podem surgir dores de cabeça ou náuseas.

Como se pode ajudar?

Aceitar que as emoções intensas são parte da resposta normal ao impacto emocional e ao stress causado pelo incêndio.

Por muito dolorosos que sejam, os sentimentos intensos tendem a diminuir. É preciso expressá-los a outra pessoa ou recorrendo ao apoio profissional especializado.

Dar tempo para a adaptação e para o luto pelas perdas - materiais, emocionais ou de um ente querido.
Dormir bem, comer bem, fazer exercício (mesmo que seja a "última coisa que apeteça"). É importante para o bem-estar psicológico.

Partilhar emoções com outras vítimas do incêndio.

Voltar à rotina e às atividades habituais (ou estabelecer novas rotinas).

IDOSOS

Nos idosos poderão surgir estados de confusão e até de desorientação. O medo de ser colocado num lar ou fora do local de residência, o isolamento, apatia ou raiva são frequentes nestas situações.

O tempo de recuperação, o regresso à normalidade, pode levar mais tempo, pelo que o apoio de familiares e de toda a comunidade é fundamental.

É importante que familiares e cuidadores ajudem os idosos a regressar às suas rotinas e que permaneçam disponíveis para falar as vezes necessárias sobre o ocorrido.


COMUNIDADE

Quando uma comunidade é atingida por um desastre natural, como este incêndio, mesmo os que não foram vítimas diretas podem sentir-se psicologicamente afetados. Saiba como pode ser ajudado ou ajudar.

Como se pode ajudar?

Organizar o apoio logístico às pessoas da comunidade.

Não criticar, mas incentivar para se continuar e melhorar o apoio

Participar nas manifestações comunitárias de dor e pesar, já que são a expressão do sentimento de todos.

Pedir informação junto das instituições que coordenam a resposta à ajuda sobre como podem também contribuir.

É importante cuidar de cada um. Quando cada pessoa cuida de si, está a cuidar também da comunidade.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG