Grupo de médicos pede reapreciação do programa de vacinação das crianças

Os 25 signatários da carta visam também a Ordem dos Médicos e o bastonário, considerando que o Código Deontológico foi violado. Apesar de ser o representante máximo dos médicos, o cargo "não lhe confere poderes de autoridade científica suprema ou de verdade absoluta", consideram.

O mal-estar na Ordem dos Médicos parece não ter fim à vista. Segundo um comunicado a que o DN teve acesso, um grupo de 25 médicos (parte de um conjunto maior de 90 profissionais) assinou um apelo público, dirigido à Ordem dos Médicos (OM), a pedir a reapreciação e suspensão da vacinação das crianças contra a covid-19.

No documento, os signatários justificam a sua posição devido ao "conhecimento de potenciais riscos a curto, médio e longo prazo". Segundo os clínicos, alguns países europeus, como a Suécia, o Reino Unido ou a Alemanha, "decidiram reapreciar o benefício da vacinação contra a covid-19 em crianças, e não estão a recomendá-la de forma universal na população infantil".

No final do mês de janeiro, também o pediatra Jorge Amil tinha vindo a público pedir que a vacinação das crianças fosse revista. O médico foi entretanto alvo de um processo disciplinar na OM. Esta decisão foi também visada no comunicado que agora veio a público. No documento, pode ler-se que "tratar colegas dignos e competentes com desprimor e acusá-los de falta de rigor, é grave violação da dignidade" esperada da entidade que regula os médicos. De acordo com os signatários, o Código Deontológico da profissão não foi respeitado. "A OM estabelece princípios de deontologia entre colegas no seu Art.º 128 do Código Deontológico, que não foram devidamente respeitados pelo bastonário nas suas declarações públicas". dizem.

Segundo os médicos, "são conhecidos contornos de documentos técnicos de grupos especializados e estatutariamente legitimados dentro da Ordem dos Médicos, que devem ser devidamente ponderados nas decisões ou recomendações oficiais da Ordem". As responsabilidades por decisões políticas, referem, "cabem a outras entidades".

Além disso, consideram que "se um grupo de médicos faz um apelo público à reapreciação científica duma decisão" é esperado que o representante máximo "aja com a devida compostura, dignidade e respeito, sugerindo que esse escrutínio seja feito".

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