Graça Freitas mantém-se "confiante" no benefício da vacinação nas crianças

Um grupo de peritos da DGS terá manifestado o seu desacordo em relação à vacinação de crianças entre os 5 e os 11 anos, entendendo, segundo noticiou o Expresso, que as vacinas só devem ser utilizadas em crianças de risco.

A diretora-geral de Saúde manifesta-se "confiante" em relação ao benefício da vacinação contra a covid-19 nas crianças dos 5 aos 11 anos, apesar de um grupo de peritos consultores da própria Direção-Geral de Saúde (DGS) ter reservas.

Segundo o Expresso, os mais de 10 pediatras, cardiologistas, enfermeiros e representantes do setor da Saúde do grupo de trabalho que apoia a DGS na vacinação contra a covid-19, estão contra a vacinação de todas as crianças entre os 5 e os 11 anos, defendendo que esta deve ser circunscrita a casos de risco acrescido.

Em declarações esta manhã durante uma visita ao Centro de Vacinação de S. Domingos de Rana, Graça Freitas frisou que este grupo de peritos apenas tem uma função "consultiva da Comissão Técnica de Vacinação" e que é esta Comissão quem vai produzir o parecer final para a DGS que depois o entregará à tutela.

A diretora-geral lembrou que o grupo de peritos "ainda não entregou o seu parecer e ainda está a validar a situação".

No entanto, acrescentou, "a EMA aprovou a vacina para as crianças e a Sociedade Portuguesa de Pediatria também".

Graça Feitas sublinhou ainda que segundo "o relatório da farmacovigilância, a vacinação nos jovens dos 12 aos 17 é segura. Na faixa dos 5 aos 12, com uma vacina feita especificamente para estas idades, estamos ainda mais confiantes na relação benefício/risco para a saúde física e mental das crianças".

Portanto, concluiu, "aguardaremos os pareceres completos e depois emitiremos uma opinião", sendo que "sou claramente a favor das vacinas".

As dúvidas dos peritos

Mas alguns especialistas não pensam assim. "A vacina não impede a aquisição nem a transmissão do vírus, impede a gravidade e a mortalidade, que é rara nas crianças. Estar positivo e sem doença nunca foi um problema para as outras doenças nas crianças. Porque o é agora, para mais quando as pessoas que podem infetar com gravidade estão protegidas", questiona Jorge Amil Dias, presidente do Colégio dos Pediatras da Ordem dos Médicos, que integra o grupo de especialistas, em declarações ao Expresso.

"Tal como aconteceu com a vacinação dos adolescentes, vamos ter uma decisão política transvestida de parecer técnico", completa Francisco Abecassis, representante a Ordem dos Médicos no grupo de trabalho e pediatra da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Santa Maria, que também foi contra a vacinação dos jovens.

"Há crianças que precisam de proteção e recomendamo-la; mas porquê vacinar todas e a cada seis meses? Se a vacina impedisse a infeção, como no sarampo, teria a nossa recomendação universal", assinala.

Outro ponto de vista tem Henrique de Barros, presidente do Instituto de Saúde Pública do Porto, que também ao Expresso, lança a questão: "A vacinação entre os 5 e os 11 anos vai fazer muita diferença, porque é o grupo etário que agora tem mais infeção e terá um impacto na circulação do vírus como teve nos outros grupos. É verdade que a gravidade é reduzida, mas devemos esperar que morram?"

O epidemiologista critica que afirma que a vacina nada faz sobre a transmissão. "A vacina impede a infeção. Em 100 não vacinados, 60 infetam-se. Em 100 vacinados, infetam-se 18".

Conforme o DN já noticiou mesmo sem decisão da DGS, António Costa disse que o país está preparado para vacinar as crianças.

Dose menor para as crianças

No dia anterior, a diretora-geral de saúde, que se manifestou a favor da vacinação das crianças, tinha afirmado também que as autoridades nacionais já estarem a desenvolver todos os procedimentos burocráticos destinados à aquisição da vacina para a faixa pediátrica, já que se trata de uma vacina em dose muito menor do que a aplicada aos adultos.

O primeiro lote de vacinas chega a 20 de dezembro, as restantes em janeiro.

Em Portugal, há 637 907 crianças dos 5 aos 11 anos elegíveis para a vacinação contra a covid-19, caso a Comissão Técnica de Vacinação da Direção-Geral da Saúde decida que tal deve acontecer.

A Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla em inglês) recomendou, esta quinta-feira, a aprovação da vacina da Pfizer para crianças dos 5 aos 11 anos, sendo a primeira na União Europeia (UE) para esta faixa etária.

"O Comité dos Medicamentos para Uso Humano da EMA recomendou a concessão de uma extensão da indicação para a vacina covid-19 Comirnaty para incluir a utilização em crianças dos 5 a 11 anos", lê-se no comunicado do regulador europeu. A vacina, desenvolvida pela BioNTech e Pfizer já foi aprovada para uso em adultos e crianças com 12 ou mais anos, recorda a EMA.

"Em crianças dos 5 aos 11 anos de idade, a dose de Comirnaty será inferior à utilizada em pessoas com 12 ou mais anos de idade", indica a EMA, referindo que, "tal como no grupo etário mais velho", a administração deve ser feita com "duas injeções nos músculos do antebraço, com três semanas de intervalo".

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