DGS: não se confirma que nova variante se propague mais rápido nas escolas

Há neste momento 416 surtos de covid-19 identificados em todo o país. Segundo a diretora-geral de saúde, Graça Freitas, "a maior incidência é em lares, seguindo-se as instituições de saúde e as escolas, estas com menor incidência".

A diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, não vê necessidade de mais restrições nas escolas por causa da nova variante da covid-19. Questionada na conferência de imprensa esta terça-feira, sobre se, à semelhança do que está a acontecer noutros países, com a Inglaterra, onde a rápida propagação desta nova variante levou a um novo confinamento e encerramento de escolas, também em Portugal, poderiam ser atingidos os estabelecimentos de ensino, esta responsável respondeu que não:

"Carece de confirmação que essa variante se propague mais rápido nesses ambientes", sublinhou Graça Freitas, acrescentando que "não há indícios de que seja mais grave ou mais violenta".

De acordo com o Observador, que cita a Reuters, os cientistas britânicos vão analisar se a nova variante que surgiu no Reino Unido pode ter maior facilidade em infetar as crianças tal como tem acontecido com os adultos.

A nova variante tornou-se dominante no sul de Inglaterra em muito pouco tempo e isso pode vir a acontecer em todo o país num futuro próximo, confirmaram os cientistas do Grupo de Aconselhamento sobre Ameaças de Vírus Respiratórios Novos e Emergentes (NERVTAG).

"Há uma indicação de que o vírus tem uma maior propensão para infetar as crianças", disse Neil Ferguson, especialista em doenças infecciosas do Imperial College de Londres e membro do NERVTAG. "Não estabelecemos qualquer tipo de causalidade, mas podemos vê-lo nos dados."

SNS preparado para subida de casos

Questionada sobre a subida de novas infeções por Covid-19, devido ao alívio das medidas de confinamento na quadra natalícia, a diretora-geral de saúde, Graça Freitas, sublinhou que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) "tem demonstrado capacidade de adaptação e reorganização" para enfrentar o possível aumento de casos.

"O SNS tem dado provas de capacidade de adaptação, transferência de serviços e descontinuação de serviços. Aparentemente, os números podem aumentar, mas o SNS ainda tem capacidade de se readaptar e reorganizar", afirmou a responsável.

De acordo com Graça Freitas, há neste momento 416 surtos de Covid-19 identificados em todo o país. Segundo a diretora-geral de saúde, Graça Freiras, "a maior incidência é em lares, seguindo-se as instituições de saúde e as escolas, estas com menor incidência".

A maior concentração dos surtos de infetados é da região de Lisboa e Vale do Tejo, com 284 surtos ativos, seguindo-se a região Norte com 55, o Alentejo, o Centro com 25 e o Algarve com 24.

12 mil vacinados em lares

A diretora-geral de Saúde Graça Freitas anunciou que está previsto, nesta primeira fase, vacinar cerca de 12 000 idosos em cerca de 150 lares de todo o país. Este processo, que já começou ontem, a quatro de dezembro, terá como prioridade os conselhos com maior incidência de infetados com Covid-19 nestes estabelecimentos: 11 a Norte, 5 no Centro, 1 em Lisboa e Vale do Tejo e oito no Alentejo.

A campanha de vacinação contra a covid-19 iniciou-se em Portugal em 27 de dezembro com a inoculação de profissionais de saúde nos hospitais. Na segunda-feira, foi alargada aos lares de idosos.

A vacina que está a ser administrada é a do consórcio Pfizer-BioNTech, para cujo uso de emergência foi aprovada em 21 de dezembro pela Agência Europeia do Medicamento.

Até à data foram dadas em Portugal 32 mil doses.

Graça Freitas alertou ainda assim que "nem todas as pessoas vacinadas contra a covid-19 vão ficar imunizadas, uma vez que a vacina administrada não é 100% eficaz e ainda não há imunidade de grupo.

Frisou que "vacinar não quer dizer abandonar critérios de proteção", advertindo que "nem todas" as pessoas vacinadas "vão ficar imunizadas". "A vacina não é 100% eficaz e nós não temos ainda imunidade de grupo", justificou.

A diretora-geral de Saúde reforçou, por isso, a necessidade de se manterem medidas de proteção até se atingir a imunidade de grupo, como o uso de máscaras, a higienização das mãos, a ventilação de espaços e o distanciamento físico.

Portugal registou esta terça-feira mais 90 mortes e 4956 novos casos de covid-19. Este é o quarto maior número de mortes em 24 horas, igualado a 14 de dezembro. O pico de mortes pelo novo coronavírus foram 98 óbitos, a 13 de dezembro seguido de 94 a 11 do mesmo mês e 91 a 16 de novembro.

Nos hospitais portugueses há agora 3260 doentes com covid-19 internados, dos quais 512 estão em unidades de cuidados intensivos. Desde 10 de dezembro que não estavam tantas pessoas internadas, dia em que havia 3 304 doentes em cuidados hospitalares

Em Portugal, morreram 7.286 pessoas dos 436.579 casos de infeção de covid-19 confirmados, de acordo com o boletim da DGS.

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