Governo cede a críticas e reforça meios nos incêndios

Postos de vigia são reativados até ao final de outubro. "Pagou-se caro a falta de meios", diz presidente da Liga dos Bombeiros

As críticas tinham chegado de várias frentes, dos autarcas aos bombeiros, com os partidos políticos a questionarem o governo sobre a redução dos meios de combate aos incêndios neste mês de outubro, quando as condições climatéricas ainda são muito propícias a fogos florestais. Ontem, o Ministério da Administração Interna (MAI) anunciou medidas como a reativação de postos de vigia florestal. "Tivemos razão antes do tempo. Pagou-se caro a falta de meios", diz Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses. Na primeira semana de outubro houve mais 900 fogos.

O fogo na Pampilhosa da Serra, que lavra desde sexta-feira, ficou ontem em fase de resolução, mas ainda mobilizou mais de 540 operacionais. O fogo que alastrou ao concelho de Arganil consumiu mais de 6500 hectares, segundo o Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais. Neste ano arderam mais de 220 mil hectares em Portugal, o valor mais elevado da última década.

Para os próximos dias, as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera indicam que as temperaturas vão manter-se altas, com os municípios do interior norte e centro, e também no Algarve, a terem elevado risco de incêndios. Até domingo é considerado período crítico de incêndios.

Em comunicado, o MAI adiantou que foi reativada a rede primária de postos de vigia da GNR, com os 72 postos desta rede a estarem em funcionamento entre hoje e 31 de outubro. O SEPNA da GNR é quem dirige este serviço, que é prestado por militares e civis, e a reativação parcial já tinha sido equacionada pelo secretário de Estado Jorge Gomes, na segunda-feira . Entre 1 de julho e 30 de setembro, na fase Charlie, funcionaram 231 torres, com quase mil pessoas.

Foi também determinado o alargamento dos contratos de meios aéreos até ao final do mês de outubro, estando disponíveis dois aviões pesados, dois aviões médios e oito helicópteros médios, além dos meios próprios do Estado, frota composta por três helicópteros ligeiros e três pesados. O dispositivo foi ainda reforçado com mais 820 operacionais, o que dá um total de 2763 elementos dos corpos de bombeiros voluntários.

"Distração inaceitável"

Estas medidas surgem após críticas de autarcas e da Liga dos Bombeiros Portugueses à escassez de meios em outubro, quando as condições climatéricas ainda são propícias a incêndios. Ainda ontem o deputado José Luís Ferreira, de Os Verdes, entregou na Assembleia da República duas perguntas em que questiona o governo sobre a redução de meios de combate aos incêndios e encerramento de postos de vigia, "apesar das condições climatéricas se manterem críticas".

"Tivemos razão antes do tempo", disse ao DN Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros, que considera os postos de vigia "ferramentas importantes para a deteção do incêndio" na fase inicial. Marta Soares classifica a redução de meios "uma distração inaceitável" e alega que "nunca devia ter sido feito um corte tão grande da fase Charlie para a Delta", tendo em conta que as temperaturas continuam elevadas e o tempo seco. O dirigente diz que "pagou-se caro em alguns dias" e espera agora que haja "sentido de responsabilidade" na reativação "com qualidade" dos postos de vigia. O que acredita ser possível dado que confia no SEPNA da GNR, um serviço "muito competente".

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