Gouveia e Melo pede profissionais. Enfermeiros exigem planificação

Coordenador do plano nacional e governo concordam com o reforço dos recursos humanos. Quem administra as vacinas quer saber com o que conta e menos precariedade.

O coordenador do plano nacional de vacinação, o vice-almirante Gouveia e Melo, defende que "vai ser necessário contratar profissionais de saúde" para cumprir objetivos para abril: vacinar 100 mil pessoas por dia. E o primeiro-ministro António Costa já garantiu que haverá recursos humanos. Os enfermeiros dizem "presente" desde que se tomem medidas e exista planificação para estes tempos de pandemia.

"Desde que seja planificado, os enfermeiros conseguem dar resposta, não temos dúvidas que atingiremos os objetivos", afirmou ao DN Guadalupe Simões, dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP). Explica que, neste momento, não há profissionais para contratar (a não ser quem esteja a concluir o curso), mas que o reforço de recursos humanos pode ser feito com mais horas de trabalho e com recurso a enfermeiros reformados, como, aliás, já está a acontecer. "Não havendo profissionais para contratar e, sendo necessários mais, tem de se falar com quem está e com quem deixou de estar para cumprir esse objetivo."

100 mil vacinas por dia é o objetivo para abril


Essa planificação passa, também, segundo a sindicalista, por efetivar os enfermeiros contratados "de forma precária" para as unidades de cuidados de saúde primários e hospitais devido à pandemia. "Pode haver a efetivação desses colegas como medida de exceção, mas tememos que o governo não esteja a tomar essas medidas: espera que os contratos de quatro mais quatro meses acabem para, depois, contratar os trabalhadores despedidos para a vacinação e não há razão para que isso aconteça", critica Guadalupe Simões.

Ao fim de dois contratos consecutivos de quatro meses cada, esses enfermeiros devem ser efetivados desde que sejam necessários e haja orçamento para tal, "o que depende do governo", sublinha a dirigente. Denuncia que há quem seja mandado para casa um ou dois dias para ser novamente contratado, iniciando-se de novo o processo.

O SEP tem vindo a reivindicar a contratação de 3 mil enfermeiros por ano, para compensar os que foram saindo ao longo dos anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), muitos deles para o estrangeiro. "Antes da pandemia, o governo tinha anunciado que só ia contratar 900 enfermeiros em 2020", sublinha.

Neste domingo, Gouveia e Melo admitiu serem precisos mais profissionais para administrar as vacinas contra a covid-19, sem referir números. "É o que estamos a apurar", disse, durante uma visita a um posto em Faro. acompanhado do ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

Neste fim de semana, estava previsto vacinar 70 mil docentes e não docentes das escolas do pré-escolar, 1.º ciclo e da escola a tempo inteiro. No sábado foram vacinados 44 mil. O balanço é positivo para o coordenador da task force: "Dá confiança para termos diversas soluções para escalar o processo para mais de 100 mil vacinas por dia."

Número que já o primeiro-ministro tinha adiantado no sábado, salientando que Portugal irá receber 1,8 milhões de vacinas em abril, "tantas quantas recebemos em janeiro, fevereiro e março". Concluiu: "Vamos ter de triplicar o esforço de administração de vacinas, todo o processo que tem decorrido em centros de saúde vai ter de ser complementado por 150 postos de vacinação rápida."

Costa garantiu que haverá recursos humanos para vacinar 100 mil pessoas por dia, entre "recursos do SNS e outros que possam ter de ser contratados fora do SNS".
O coordenador o plano de vacinação resume: "Isto é uma grande escadaria, só demos um passo em mais um degrau, portanto há muitos degraus que vamos ter de superar, e nada é fácil neste processo, não podemos descansar. Temos de ser totalmente ambiciosos para libertar a nossa economia, libertar o nosso país desta pandemia o mais rapidamente possível."

Nas últimas 24 horas, registaram-se 365 novas infeções por SARS-CoV-2, período em que morreram dez pessoas com o vírus. Há mais 15 internados (633 no total) e menos seis nos cuidados intensivos (142).

Médicos no limite na Europa

Na Alemanha, as unidades de cuidados intensivos estão a chegar ao limite devido à pandemia, alertou ontem o presidente da Associação de Medicina Intensiva e de Urgências alemã, Gernot Marx. Pediu restrições mais severas para reverter a tendência. O mesmo aviso chegou de França, através de um artigo de opinião assinado por 41 médicos de Paris, publicado no Le Journal do Dimanche. Dado o aumento dos casos de covid-19, temem que, em breve, possam ser forçados a escolher que pacientes tratar. A Bélgica atingiu o pico de incidência da terceira vaga, com uma média de 4636 infeções por dia, entre 18 e 24 de março. É um aumento de 27% em relação aos sete dias anteriores. Têm 701 doentes nos cuidados intensivos, mais 292 nas últimas 24 horas, embora nem todos tenham covid.

Gibraltar: primeiros na era além-covid

Gibraltar atingiu os 72% de residentes vacinados e, assim, neste domingo os habitantes puderam sair à rua sem usar máscara. A população é reduzida - 33 700 pessoas - mas as autoridades sanitárias conseguiram atingir a imunidade em três meses.

Estão vacinados 24 331 pessoas (72,1 %) com as duas doses e 2506 com uma; não há doentes com covid-19 internados no território britânico. Tornou-se assim na primeira zona do mundo a relaxar nas medidas de combate à pandemia. Em consequência, os gibraltinos deram um grande passo no regresso à normalidade, embora com restrições. O uso da máscara continua a ser exigido em espaços fechados, lojas e transportes públicos. Mas foi levantado o recolher obrigatório, que vigorava desde final de dezembro. E os bares e restaurantes podem estar abertos até às 02h00.

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