GNR fiscalizou 2852 carros em corridas ilegais no Grande Porto

Três condutores presos e 381 identificados desde janeiro do ano passado. Street racing noutras regiões sob investigação

Desde janeiro de 2015 que as noites de sexta-feira e de sábado no Grande Porto são marcadas por ações de fiscalização da GNR com o objetivo de deter os viciados em street racing que vão exibir a velocidade que atingem com os seus carros, com características alteradas, em duelos marcados para zonas industriais.

E os resultados dessas operações da Guarda - três condutores detidos (a maioria dos participantes são homens), 381 identificados por condução perigosa e 2852 carros fiscalizados - mostram que apesar dessas ações a adrenalina de conduzir acima dos limites é mais forte do que o receio de ser detido ou de ficar com o carro apreendido.

Segundo dados que a Guarda facultou ao DN, é na zona do Porto que se têm concentrado as últimas operações policiais de dissuasão destas corridas. Desde janeiro de 2015, a GNR fiscalizou quase três mil carros (2852) naquele distrito, a maior parte em corridas ilegais em Vila do Conde. Ali, na zona industrial de Mindelo, na madrugada de 8 de outubro (sábado) duas pessoas foram atropeladas, depois de um carro se ter despistado porque o condutor perdeu o controlo. Um dos feridos, de 21 anos, ficou em estado grave. Nestes quase dois anos, os militares da GNR ainda aprenderam 33 automóveis.

Convocatórias nas redes sociais

As redes sociais são usadas pelos amantes do street racing para convocar adeptos para as corridas às sextas e sábados à noite. E as autoridades estão atentas. Os grupos identificam-se no Facebook mas chegar à conversa com os seus membros não é fácil. O DN tentou, via Messenger, entrar em contacto com os Picas de Mindelo, que têm na sua página mais de 11 mil gostos. Apenas uma resposta: "Se o artigo é sobre corridas ilegais, não a posso ajudar, que nunca fiz nenhuma nem conheço quem faça!" Foi possível depois vê-los a acelerar no local do costume (ver texto ao lado). "O problema é que põem em causa a vida deles e as dos outros. Há sempre muita gente na estrada e carros a circular que estão alterados nas suas características para conseguirem mais velocidade", alertou em declarações ao DN o major Marco Cruz, porta-voz do comando-geral da Guarda Nacional Republicana.

Vasco da Gama vigiada

A Guarda continua também a monitorizar a Ponte Vasco da Gama (Lisboa-Alcochete). Os seus mais de 17 quilómetros de comprimento eram apetecíveis para os street racers, mas nos últimos meses quase não têm acontecido ali corridas, o que será resultado do efeito dissuasor das operações policiais. A última ação visível da GNR ali foi há já quase um ano, a 27 de novembro do ano passado, quando os militares detetaram uma corrida ilegal na ponte, no sentido sul-norte, com carros e motos, tendo intercetado e fiscalizado os cinco carros envolvidos nessa demonstração de velocidade. Seguiam a 200 km/hora, pelas 02.00 da madrugada. Nessa operação, foram levantados 22 autos de contraordenação ao Código da Estrada por transformação de veículos e por existência de carros com características não averbadas no documento único automóvel. O DN sabe que as investigações aos grupos que ali promoviam corridas ilegais continuam. Outras pontes também procuradas pelos adeptos do street racing são a Salgueiro Maia, que liga Santarém a Almeirim, ou a Ponte da Lezíria, entre o Carregado e Benavente.

A busca de adrenalina é viciante

O psicólogo Rui Abrunhosa Gonçalves não qualifica os adeptos do street racing como "viciados". "Não são propriamente viciados em nada, mas têm uma necessidade muito grande de busca de sensações, de correr riscos. São temerários. Têm aquilo que procuram nas velocidades. Nesse sentido, são equiparados aos consumidores de substâncias como estupefacientes ou álcool, que também gostam de correr riscos e de buscar sensações", explica. Rui Abrunhosa Gonçalves conclui que "há programas específicos para um acompanhamento destas pessoas, que podem passar por terapia comportamental ou até terapia de grupo".

Pedro Hubert, psicólogo especialista em dependências, nunca tratou um viciado em velocidade mas sublinha que "a busca de adrenalina é o motor para muitas dependências".

Mais Notícias

Outras Notícias GMG