Génios já ganharam mais de cem medalhas

Os alunos estão cada vez mais interessados nas competições de várias áreas do saber. Mas queixam-se da baixa valorização

"Vemos os asiáticos como sobrenaturais e quando chegamos lá afinal até é possível." Esta é a avaliação de Vasco Esteves, depois de na sua estreia e na de Portugal nas Olimpíadas Internacionais de Ciências da Terra, em setembro, ter conquistado uma medalha de ouro. Ainda para mais quando Portugal não tem Ciências da Terra no currículo oficial da mesma forma que estas são testadas nas olimpíadas ou o campo de treino de quatro meses dos indonésios. Apesar do registo inesperado de Vasco Esteves, a verdade é que as comitivas nacionais em olimpíadas científicas são cada vez mais bem-sucedidas. E os nossos génios papa-medalhas já conquistaram mais de 130 destas distinções.

As conquistas mais recentes aconteceram nesta semana nas Olimpíadas Ibero-Americanas de Matemática, que terminaram ontem em Porto Rico. Os jovens portugueses conquistaram mais quatro medalhas: uma de ouro, uma de prata e duas de bronze.

A Matemática ainda chegou a ser uma das apostas de Vasco Esteves. Mas o aluno do 12.º ano não teve grande sucesso - "fui às nacionais mas não ganhei nada". Também participou nas de Biologia e Física, em que conquistou um segundo lugar e uma menção honrosa (para quem fica entre os dez primeiros), respetivamente. Resultados que lhe permitiram apurar-se para as eliminatórias de onde sairão os cinco representantes na competição internacional do próximo ano em Física. O estudante de Ciências e Tecnologias, em Alenquer, vai ainda tentar a sua sorte em Astronomia. Obcecado com olimpíadas? "É viciante", responde.

Quem também lhe tomou o gosto foi Pedro Paredes. Vencedor de uma medalha de bronze nas Olimpíadas Internacionais de Informática em 2012. Nesse ano também teve direito a uma menção honrosa nas Olimpíadas de Física. O agora estudante de mestrado em Ciências de Computadores na Universidade do Porto já passou para o lado de lá e faz parte do júri das Olimpíadas de Informática, selecionando e ajudando a preparar os novos candidatos.

O segredo: muito trabalho

Para os professores, que ajudam na preparação e dão apoio aos participantes, duas coisas são claras: as medalhas não são um objetivo e só com muito trabalho se alcança uma distinção. "O único truque é o trabalho", aponta Joana Teles, mentora das Olimpíadas de Matemática e ela própria também ex-concorrente na competição nacional da disciplina e que acompanhou a equipa portuguesa nas Olimpíadas Ibero-Americanas.

Outra das características comuns aos campeões olímpicos é serem bons alunos e destacarem-se nas respetivas áreas. "Naturalmente são os melhores que participam nestas competições", diz Diana Pinto, professora da Universidade de Aveiro, que está ligada à preparação das Olimpíadas de Química.

Ainda que outros fatores possam influenciar a participação dos futuros vencedores. Isso aconteceu a Vasco Esteves, que começou por duvidar do sucesso que podia ter em Ciências da Terra, até que foi ganhando etapas e "a motivação foi crescendo". Uma opinião que o mentor destas olimpíadas partilha com o jovem. "O acréscimo de motivação que os resultados vão justificando ainda faz deles melhores alunos, pois preparam-se afincadamente para cada fase seguinte", aponta José Relvas, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Só esse trabalho extra justifica que, apesar de alguns constrangimentos nacionais - como os currículos escolares não corresponderem às provas das olimpíadas e isso exigir uma formação específica -, os estudantes consigam conquistar lugares do pódio.

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