Fontainhas Fernandes: "Alterações de 2020 traduziram-se em melhores resultados de acesso ao ensino superior"

Presidente da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior diz que o modelo do ano passado deve ser mantido.

As regras para o acesso ao ensino superior serão as mesmas do ano passado?
Ainda não há decisão. O Conselho de Ministros reuniu-se na semana passada, mas esse tema não estava na agenda da discussão. O governo pediu um parecer à Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior e nós tornámos público esse parecer. Entendemos que devem manter-se as orientações do ano passado. Entendemos que devem realizar-se apenas os exames nacionais das disciplinas que são para acesso ao ensino superior e a avaliação e a aprovação do ensino secundário deve ser apenas com avaliação interna. Não obstante o grau de complexidade vivida, consideramos que a experiência do ano passado foi globalmente positiva. Queremos manter os jovens ativos e estimulados para entrar no ensino superior. As alterações do ano passado traduziram-se em melhores resultados de acesso e também foi o ano em que entraram mais estudantes no ensino superior.

Qual será a fórmula de cálculo da média para a entrada na universidade?
Ainda não fizemos esse cálculo. O governo pediu o parecer e deverá ponderar se aceita ou não o parecer. Se o governo optar pelas nossas orientações, teremos de nos reunir novamente para decidir a fórmula de cálculo.

O modelo de exame aplicado no ano passado esteve na origem da subida de médias? Neste ano, as médias poderão continuar essa tendência?
Não quero fazer futurologia. O modelo de exame foi modificado e o IAVE já admitiu que o modelo deste ano também está a ser preparado no âmbito da pandemia. As questões, agora, estão a ser pensadas de raiz e estamos a estudá-las no grupo de trabalho.

Parte da comunidade escolar tem defendido mudanças drásticas no acesso ao ensino superior. As regras poderão ser revistas em breve?

A minha opinião é que é um assunto que merece muita reflexão, mas que, nesta altura, não merece maior preocupação. As regras têm sido transparentes. O abandono escolar merece mais atenção. Devemos aumentar a qualificação. Embora este não seja um tema central, nesta altura, não significa que não se pense nele e não se discuta. Fui eleito em dezembro para liderar a Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior [CNAES] e estou a assumir as funções agora. O ministro da Educação criou também um grupo de trabalho que eu integro e do qual faz também parte um elemento do Conselho Nacional de Educação. E é do Conselho Nacional de Educação que vem a sugestão de repensar o acesso ao ensino superior. O grupo já começou a trabalhar e temos como objetivo terminar o nosso parecer no final do mês de maio. Será com base nesse trabalho que o Ministério da Educação vai fazer o despacho orientador de vagas e uma proposta de distribuição. O ministro da Educação vai basear-se nesse relatório para tomar decisões. O despacho orientador de vagas deverá ser conhecido na primeira quinzena de junho.

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