Incêndio em Odemira dado como dominado

652 operacionais, apoiados por 218 viaturas e cinco meios aéreos ainda envolvidos no combate ao fogo

O incêndio que deflagrou ao início da tarde desta quarta-feira na zona de Sabóia, no concelho alentejano de Odemira, foi considerado dominado às 18.40 desta quinta-feira, revelou a Proteção Civil.

Contactado pela agência Lusa, o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Beja indicou que o fogo "entrou em resolução", ou seja, ficou dominado, "às 18:40".

De acordo com a página na Internet da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), encontravam-se ainda envolvidos no combate ao fogo, às 18.55, 652 operacionais, apoiados por 218 viaturas e cinco meios aéreos.

O incêndio, que deflagrou pouco depois das 13:00 de quarta-feira, junto ao lugar de João Martins, na freguesia de Sabóia, já consumiu "largas centenas de hectares", numa zona de povoamento misto, com mato, eucaliptos, montado de sobro e pinheiros, revelou hoje a Proteção Civil, numa primeira estimativa sobre a área ardida.

O levantamento mais rigoroso da área ardida no concelho de Odemira ainda vai ter de ser efetuado pela GNR.

A operação de combate tem estado a envolver meios dos bombeiros e da Força Especial de Proteção Civil, assim como a AFOCELCA, GNR e Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

A partir das 19:00, está marcado novo ponto de situação do incêndio pela Proteção Civil, numa conferência de imprensa na Junta de Freguesia de Sabóia.

Pessoas retiradas já regressaram às suas casas​​​​​​

O comandante operacional distrital de Beja referiu que as 17 pessoas que foram retiradas das suas casas já regressaram às habitações. Na sequência deste incêndio, uma pessoa ficou ferida, tendo sido considerada em estado grave. Um jovem, de 20 anos, que teve "queimaduras de primeiro e segundo grau" em 40% do corpo. Acrescentou que "uma pessoa foi assistida e há três feridos leves".

Adiantou ainda que não há habitações em risco.

Antes, em declarações à Lusa ​​​​​​o presidente da Câmara Municipal de Monchique disse que as autoridades conseguiram evitar que o concelho algarvio fosse muito atingido pelo incêndio que deflagrou na quarta-feira em Odemira, no distrito de Beja.

O autarca disse à Lusa que, ainda na quarta-feira, "prevendo que o fogo ia progredir no sentido de Monchique, foi deslocado para o terreno um conjunto de máquinas de rasto e foram desenvolvidas medidas de antecipação para prevenir a eventual entrada no concelho" do distrito de Faro.

"A estratégia resultou, conseguimos travar o fogo antes de entrar no concelho, apesar de uma pequena franja de eucaliptal ter sido consumida", sublinhou o presidente da Câmara de Monchique, município que em 2018 teve um incêndio que alastrou aos concelhos de Silves, Odemira e Portimão e que consumiu uma área superior a 26 000 hectares.

As chamas já fizeram um ferido grave, um civil de 20 anos que sofreu queimaduras e foi transportado para o hospital, tendo ainda um bombeiro sido assistido no local, por ter sofrido uma entorse, disse anteriormente à Lusa fonte da ANEPC.

"Este civil foi inicialmente considerado ferido leve e, depois da intervenção da viatura médica, foi reclassificado para ferido grave", explicou a mesma fonte.

O homem "inspirou ar muito quente e tem que ser avaliado do ponto de vista das vias aéreas", tendo ainda "uma área queimada considerável", assinalou, frisando tratar-se do "único ferido" por agora, dado que o bombeiro foi apenas assistido no local.

Os bombeiros receberam às 13:14 de quarta-feira o alerta para o fogo, que eclodiu perto do lugar de João Martins, na freguesia de Sabóia, no concelho de Odemira.

A operação de combate envolveu, ao longo do dia, meios dos bombeiros e da Força Especial de Proteção Civil, assim como a AFOCELCA, GNR e Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Chamas em Odemira queimam floresta, "muitas colmeias" e medronhal

O presidente da Câmara de Odemira, José Alberto Guerreiro, revelou que arderam "muitas colmeias" na freguesia de Sabóia, devido ao fogo que lavra no concelho há mais de 24 horas, existindo também "diversos prejuízos" em zona de medronhal.

"Já tive oportunidade de encetar essa diligência para o levantamento de vários danos em colmeias, muitas colmeias arderam", afirmou o presidente da Câmara de Odemira, na conferência de imprensa realizada hoje, em Sabóia, para fazer o ponto de situação do incêndio.

O autarca explicou que "ainda é cedo" para fazer um balanço dos prejuízos, mas já estão "identificados diversos" danos, como os verificados nas colmeias dos apicultores da freguesia, mas também outros.

"Esta é uma zona também de medronhal", onde se registam "diversos prejuízos", nomeadamente "algumas iniciativas florestais de projetos agrícolas nessa área do medronhal, infelizmente, foram perdidas", indicou.

Até ao momento, o autarca disse não ter recebido qualquer relato de "situações de gado afetado".

"Mas, obviamente, o levantamento já está a decorrer, com o apoio da [Junta de] Freguesia de Sabóia e, certamente, nos próximos dias, será possível fazer um balanço mais rigoroso", afirmou.

O incêndio, na freguesia de Sabóia, tem estado a consumir povoamento misto, com mato, eucaliptos, montado de sobro e pinheiros.

"A área que ardeu foi essencialmente pinhal, bastante montado de sobro nas zonas de vale e eucalipto", apontou o autarca.

Nesta freguesia do concelho, "predomina esta economia muito em torno da floresta" e, com "uma área tão extensa" afetada e concentrada em Sabóia, "obviamente afeta muita gente", admitiu.

Quanto a habitações afetadas, José Alberto Guerreiro disse que apenas "dois anexos sem grande expressão" terão sido destruídos, pelo menos dos dados que se conhecem até ao momento: "Não temos relato de nenhuma casa ter sido afetada".

Elogiando o "excelente trabalho" realizado no combate ao incêndio, com "uma grande equipa com muitos operacionais, de norte a sul do país", o autarca deixou um desejo.

"Que rapidamente termine mais este drama e digo que é um drama porque afeta muitas vidas, muitas famílias", além de provocar danos na parte ambiental, numa "zona muito sensível", notou.

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