Fez reação à vacina? É bom sinal. O sistema imunitário está a criar anticorpos

População mais jovem está a ter reações mais intensas à vacinação. Especialistas dizem que é uma situação normal, tal como a de quem não tem qualquer reação. Tanto uma manifestação como outra não indicam que algo está mal ou que o sistema imunitário não está a produzir anticorpos.

Tem dores no local onde levou a vacina ou nas articulações? Tem cefaleias, fadiga, náuseas, tonturas, mal-estar e até diarreia? Tem a sensação de que está com gripe, calafrios ou febre? Não é razão para alarme. Este tipo de reação está identificado na literatura como efeito adverso das vacinas que estão a ser administradas contra a covid-19 e são consideradas "reações benignas". Aliás, segundo explicaram ao DN, até são "um sinal positivo", sublinha o pneumologista e diretor da Faculdade de Medicina de Coimbra, Carlos Robalo Cordeiro. "São sinal de que o sistema imunitário está a dar uma boa resposta vacinal", especifica.

Mas se é jovem e não teve qualquer reação ou se tem 50, 60 ou mais anos e também não registou qualquer sintoma. Não se preocupe. O facto de não ter uma reação mais forte não é indicador de que algo não esteja bem com o sistema imunitário ou que não esteja a criar anticorpos à vacina.

"A maioria das pessoas não tem reação às vacinas, não é só em relação à covid, mas também em relação à gripe, à pneumonia ou outras. Quando muito tem-se as tais reações locais, dor no braço ou uma certa sensação febril, por isso é que se recomenda colocar gelo no local dorido ou tomar um medicamento para atenuar os sintomas", refere Carlos Robalo Cordeiro, acrescentando que "é uma situação normal, não significando que não está a produzir anticorpos".

As reações adversas às vacinas contra a covid-19 voltam a estar em cima da mesa. Sobretudo porque chegou a hora de começar a vacinar as populações mais jovens, as quais estão, de alguma forma, a sentir mais o efeito da vacina. Há casos relatados logo na primeira dose, outros na segunda, mas o certo é que os sintomas referidos estão na literatura das vacinas que estão a ser usadas em Portugal - Pfizer, Moderna, AstraZeneca e Janssen.

O professor de Coimbra confirma: "Sabemos que algumas pessoas mais jovens estão mesmo a ir à cama com dores nas articulações, fadiga, cefaleias ou com a sensação de síndrome gripal, mas isto deve-se ao facto de serem jovens e de terem um sistema imunitário mais robusto", mas, "como digo, é precisamente por serem uma população jovem e porque tem um sistema imunitário mais capaz e competente que desenvolvem uma resposta vacinal mais intensa."

O médico e imunologista Luís Graça, que integra a Comissão Técnica de Vacinação para a Covid-19, da Direção-Geral da Saúde, defende o mesmo, salientando que as suspeitas de reações adversas graves às vacinas têm sido reportadas e analisadas de imediato", o que quer dizer que "os sistemas de farmacovigilâncias estão a funcionar bem e que são seguros", dando como exemplo a situação verificada há dias num dos centros de vacinação do concelho de Mafra, a qual foi avaliada de imediato e a administração da vacina em causa suspensa.

"Não há qualquer relação entre efeitos das vacinas e a resposta imunitária".

Para Luís Graça, "a população deve estar tranquila porque não há razões para alarme". Até agora, refere o imunologista do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (iMM), "não há qualquer relação entre efeitos das vacinas e a resposta imunitária", sustentando também que o facto de se estar a notar reações mais fortes à vacina por parte dos mais jovens tem a ver com o terem "um sistema imunitário mais vigoroso". No entanto, sublinha também, não quer dizer que que quem não tem sintomas não esteja a responder à vacina".

De acordo com o último relatório do Infarmed, autoridade do medicamento, sobre reações adversas aos medicamentos (RAM), de 2 de julho, já foram reportadas 8470 reações adversas, de um total de 8 470 118 de doses administradas, sendo o número de casos de RAM por 1000 vacinas de 1.

Do total de 8470, o Infarmed revela que 3290 foram graves e que o sintoma mais referido é a mialgia, depois as dores nas articulações, com 2638 casos, as cefaleias, com 2341, a dor no local da vacina com 2203, a febre com 2156, a fadiga com 948, as náuseas com 938, e ainda as tonturas, mal-estar, vómitos e diarreia. O mesmo documento revela ainda que a vacina sobre a qual há mais reações é a da Pfizer, com 5651 reação notificadas, a da AstraZeneca com 2133, a da Moderna com 556 e a Janssen, que, no caso de Portugal está apenas a ser administrada em mulheres com mais de 50 anos e nos homens a partir dos 18 anos.

De mais de oito milhões de doses administradas, foram reportados aos sistema de farmacovigilância português 8470 reações adversas, a maioria reações benignas.

As faixas etárias que mais reações adversas, graves e não graves, reportaram são as dos 30 aos 39 anos, com 624 reações graves e 1155 não graves, e a dos 40 aos 49 anos, com 690 reações graves e 118 não graves. A partir destas faixas, as reações começam a diminuir, sendo apenas da ordem das dezenas e das poucas centenas entre os 60 e até mais dos 90 anos.

O relatório do Infarmed dá também conta de que, "na maioria dos casos, o desconforto causado pela dor ou febre é um sinal normal de que o sistema imunitário está a reagir e estas reações resolvem-se em poucas horas ou dias, sem necessidade de intervenção médica, e não deixando sequelas. As situações não resolvidas ou agravadas nesse período ou de natureza clínica mais grave poderão requerer avaliação clínica".

No entanto, tanto o Infarmed como os especialistas têm vindo a alertar para uma situação: se uma pessoa vacinada contra a covid-19 considerar que pode estar a desenvolver uma reação alérgica grave, após a toma da vacina e passados cerca de 30 minutos, deve procurar atendimento médico.

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