Fez dois transplantes faciais e já lhe chamam o "homem das três caras"

Uma deficiência genética deformou o rosto a Jérôme Hamon, 43 anos, que se submeteu a um transplante facial total em 2010. A cirurgia correu bem, mas uma constipação fê-lo perder a segunda cara e levou de volta ao hospital

Sofre de uma doença rara, a neurofibromatose tipo 1, também conhecida como doença de von Recklinghausen, uma deficiência genética que vai deformando o rosto do doente ao longo dos anos.

Jérôme Hamon, 43 anos, nasceu assim e já aceitou a sua sorte. E as suas diferentes identidades. Desde que nasceu até hoje, este francês já teve três caras.

"Está tudo bem, sou eu", disse o paciente, citado pela BBC , após ter recuperado da última intervenção.

A luta contra a doença começou em 2010, ano em que se submeteu ao primeiro transplante facial total.

A intervenção foi um sucesso, como ele disse num livro que publicou em abril de 2015: "Você viu o senhor?".

Infelizmente, no mesmo ano, depois de ser apanhado por uma gripe, o inesperado aconteceu. O antibiótico com que foi tratado era incompatível com o tratamento imunossupressor que fazia por causa do transplante. Resultado: ele começou a mostrar sinais de rejeição crónica ao excerto e o rosto foi-se deteriorando.

Novo enxerto em janeiro de 2018

No verão de 2017, Hamon foi hospitalizado no Hospital Europeu Georges-Pompidou, em Paris. Em novembro, a sua cara já mostrava áreas necróticas e um segundo transplante mostrava-se necessário.

Jérôme permaneceu dois meses sem face, em terapia intensiva, enquanto lhe procurava um doador compatível. Acabou por encontrar o rosto perfeito num jovem de 22 anos que tinha morrido a centenas de quilómetros de Paris.

A operação aconteceu dia 15 de janeiro, mas só agora foi revelado que o procedimento foi um sucesso.

"Sinto-me muito bem, mas mal posso esperar para me livrar de isto tudo. No primeiro transplante, eu aceitei o enxerto imediatamente, considerei que era meu novo rosto e agora é a mesma coisa. Se eu não tivesse aceitado esse novo rosto, teria sido uma tragédia, é uma questão de identidade. Mas está tudo bem, sou eu", disse o paciente num encontro com a imprensa, onde também esteve o cirurgião responsável pela intervenção: Laurent Lantieri.

Segundo o cirurgião especialista em excertos faciais, a operação respondeu a uma pergunta dos investigadores da área: "Podemos refazer um transplante facial? Sim. E podemos retransplantar? Foi isso que conseguimos", explicou.

Desde 2005, ano em que se procedeu ao primeiro transplante facial na francesa Isabelle Dinoire, já foram efetuados 40 cirurgias destas em todo mundo.

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