Fechada parte de pedreira suspeita de poluir rio

Britaminho proibida de laborar com águas residuais. Descargas que atingiram três freguesias originaram investigação.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Câmara de Guimarães encerraram ontem, temporariamente, uma parte da laboração da pedreira Britaminho na sequência de uma ação de fiscalização ocorrida na segunda-feira de manhã nas instalações da empresa, situada na freguesia de Gonça, em Guimarães. A pedreira é suspeita de ser autora reincidente de descargas para ribeiros afluentes do rio Ave, embora o negue.

Faltavam poucos minutos para as 11.00 quando uma equipa multidisciplinar coordenada pela APA entrou na unidade de corte de pedra da Britaminho e fiscalizou ao pormenor toda a rede de drenagem de águas da empresa.

Durante a inspeção, as autoridades encontraram "irregularidades ambientais suscetíveis de gerar impacto negativo muito grave no ambiente", informou a APA em comunicado. Em causa estão deficiências na rede de drenagem, uma vez que as lamas resultantes do corte eram colocadas num grande monte que, com a chuva, escorria para as linhas de água.

As evidências encontradas apontam para que seja da Britaminho a origem da água com pó de pedra que, nas últimas semanas, contaminou ribeiros que são afluentes do rio Ave, bem como campos agrícolas, ao longo de três freguesias do concelho de Guimarães, numa extensão de dois quilómetros.

Um dos cursos de água mais atingidos foi a ribeira de Ribeiral, afluente do Ave, a montante de captações de água para abastecimento público dos concelhos de Vizela e Guimarães. Ao mesmo tempo que decorria a inspeção realizada anteontem, a água de cor branca com sedimentos de corte de pedra ainda continuava a escorrer para a ribeira e campos agrícolas às portas da Britaminho.

Corrigir irregularidades

Ontem, um dia após a inspeção, as autoridades finalizaram o auto que entregaram a determinar a suspensão "de todas as atividades da empresa das quais resulte a produção de águas residuais industriais", acrescenta a APA. Com efeito imediato, a empresa ficou proibida de exercer a maioria das tarefas necessárias à sua laboração, uma vez que o corte de pedra produz águas residuais.

Contactada a Britaminho, ninguém se mostrou disponível para prestar declarações ao DN/JN. Há uma semana, Alexandre Martins, administrativo da empresa, culpava as "águas pluviais desta época do ano" pelas descargas ocorridas, justificando a cor branca da água como sendo "resíduos da erosão dos montes".

A proibição de realizar tarefas que produzam águas residuais vai durar até que a empresa apresente à APA um plano de ação que corrija as irregularidades encontradas. Depois da apresentação e implementação do plano, a unidade "será novamente fiscalizada e caso as ações estejam a ser devidamente executadas, as medidas cautelares agora impostas serão revistas", informa a agência ambiental.

A equipa de fiscalização foi composta por várias entidades como o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da GNR, a APA e a Câmara de Guimarães.

Segundo a APA, a Britaminho é "uma empresa reincidente em episódios de poluição na bacia do rio Ave".

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