Exercício. Quem vai de bicicleta para o trabalho é 4 kg mais magro

Resultados preliminares de um estudo feito em sete cidades europeias indicam que quem anda regularmente de carro pesa mais. Mas especialistas advertem que efeito não é linear, depende da alimentação e outros hábitos de vida

Boas notícias para aqueles que dão uso diário às ciclovias que se espalharam pelas ruas da cidade: quem anda regularmente de carro pesa, em média, mais quatro quilos do que quem opta pela bicicleta. A conclusão faz parte da investigação Atividade Física Através de Transporte Sustentável, cujos resultados finais devem ser publicados dentro de três meses. E dão bons argumentos a quem prefere deixar o carro no estacionamento.

O estudo foi feito em sete cidades europeias - Barcelona, Antuérpia, Londres, Orebro, Roma, Viena e Zurique - e relaciona a saúde e os hábitos de transporte de onze mil pessoas. Financiado pela União Europeia em 4,5 milhões de euros, conta o El País, o trabalho consistiu em perguntar aos participantes como se movem na sua cidade, que meios de transporte usam e quanto tempo passam em viagens. Foram ainda solicitadas outras informações, entre as quais a estatura e o peso.

Apesar de os participantes que andam regularmente de bicicleta pesarem, em média, menos quatro quilos do que os que usam o carro, não será correto estabelecer uma relação de causa-efeito. "Alguém que usa a bicicleta regularmente é alguém que também se preocupa mais com a alimentação e em ter hábitos de vida mais saudáveis", destaca Pedro Ribeiro da Silva, da Direção-Geral da Saúde. Além disso, ressalva, "andar de bicicleta é bom, mas não apenas para o emagrecimento".

Os resultados agora divulgados pelo diário espanhol são "coerentes" com o que já se sabe. "Sabemos que há uma relação entre o nível de atividade física e o peso", diz Nuno Borges, da direção da Associação Portuguesa de Nutricionistas. Mas, adverte, o estudo "não permite dizer taxativamente que andar mais de bicicleta faz emagrecer". Por outro lado, destaca, "se fossem medidos outros fatores, como diabetes, enfartes e hipertensão, provavelmente os resultados apontavam no mesmo sentido".

Para Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), os resultados preliminares "não são surpreendentes", pois "quem anda regularmente de bicicleta tem tendência para pesar menos e manter a forma". Mas há algo que é preciso ter em conta, ao analisar os resultados do estudo. "Enquanto na maior parte das capitais europeias há muito o hábito de andar de bicicleta, em Portugal isso não acontece tanto na vida diária. É mais por lazer ou desporto."

A grande maioria das cidades portuguesas, diz Rui Nogueira, "não está bem preparada" para a utilização de velocípedes, quer por "falta de ciclovias" quer pela sua própria geografia, "pois têm muitos altos e baixos". "Ainda assim, há locais onde isso é possível, como em Aveiro." Na opinião do médico, "é uma pena não haver incentivos à utilização da bicicleta na vida diária. Há muitos locais onde era possível fazer mais ciclovias". Até porque, frisa, Portugal "tem condições climáticas favoráveis".

Quem não gosta de andar de bicicleta tem outras opções igualmente saudáveis. "Caminhar é seguro e acessível a todas as pessoas", lembra o presidente da APMGF. O importante, refere, é que a prática seja diária. Além da perda de peso, existem muitas outras vantagens associadas: "O exercício físico ativa a circulação, melhora o desempenho muscular, tira as dores, tem benefícios cardiovasculares, reduz o colesterol." E até tem benefícios "em termos de saúde mental".

Reconhecendo a importância do exercício, a DGS lançou este ano a Estratégia Nacional para a Promoção da Atividade Física, Saúde e Bem-Estar. Miguel Arriaga, chefe de divisão de estilos de vida saudável, adiantou ao DN que está a ser desenvolvido um manual de boas práticas relacionado com o tema. "Além de promover comportamentos saudáveis, é importante criar condições para as pessoas desenvolverem atividade física."

"Andar de bicicleta é um excelente passo para termos ganhos extraordinários em saúde", diz Miguel Arriaga. Mas as "caminhadas e breves corridas" são também ótimas alternativas. "Quem usa transportes públicos, pode sair numa paragem mais à frente e andar um pouco a pé até casa", sugere. Ou insistir na utilização de escadas.

Reduzir velocidade

Criar ciclovias não é o passo mais importante para promover a utilização da bicicleta em Portugal. Para Mário Alves, da Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta, "a primeira coisa a fazer é reduzir a velocidade dos carros, aumentar a fiscalização ao código da estrada e ter estacionamentos para bicicletas frequentes, visíveis, próximos das interfaces e nos bairros".

Voltando ao estudo, David Rojas, investigador do Instituto de Saúde Global de Barcelona, disse ao El País que "os dados finais serão publicados daqui a três meses" e vão incluir informações sobre a forma como a poluição atmosférica diminui os efeitos positivos da utilização da bicicleta.

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