Este é o inverno com menos gripe da última década

Pico terá sido atingido na semana de 18 de janeiro, mas o número de casos foi um terço do registado no ano passado

Há dez anos que Portugal não tinha um inverno com tão poucos casos de gripe. A taxa de incidência está a baixar há três semanas, tendo o valor mais alto sido de 59,4 casos por cada cem mil habitantes. A taxa é a mais baixa desde 2005-06, época em que o pico foi de 31,4 casos, segundo os registos do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. Graça Freitas, subdiretora-geral da Saúde, refere que o tempo ameno e a vacinação terão contribuído para a contenção do vírus.

A semana de 18 a 24 de janeiro foi aquela em que se verificou um maior número de casos de gripe no país neste inverno. A atividade gripal, segundo o INSA, é considerada baixa e está já numa rota decrescente. Por isso, é possível que este valor represente o pico para este ano.

"Tudo indica que tenhamos atingido o nosso pico da gripe. Temos uma tendência baixa porque tivemos um inverno muitíssimo ameno", diz Graça Freitas. "Nota-se também que houve muito menos consultas e internamentos porque tivemos quadros da doença muito menos graves. É possível que os vírus em circulação se tenham disseminado menos." Ana Paula Rodrigues, a coordenadora da rede de médicos-sentinela, confirma o impacto das temperaturas amenas e destaca também a vacinação, que contempla os dois vírus que mais circulam. "Apesar de ainda não haver dados fechados, é também possível que a taxa de vacinação tenha sido mais alta e por isso haja mais pessoas protegidas."

A agressividade da gripe está também relacionada com os vírus mais prevalentes. "Sabemos hoje que há uma tendência para haver épocas mais benignas quando estão em circulação os vírus A [H1N1] e B", afirma Graça Freitas.

O valor máximo desta época gripal, de 59,4 casos, é quase um terço do que foi registado na época anterior, em que houve rutura dos serviços de urgência e tempos elevados de espera. Segundo o INSA, na quarta semana do ano passado registaram-se 148 casos por cem mil.

Atualmente, há registo de 41,7 casos por cem mil habitantes, tendo havido 85 casos de doentes admitidos nos cuidados intensivos, a maioria não vacinados e com doenças crónicas, e 65% tinham menos de 64 anos.

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