Erro no laboratório retém mãe com duas menores no Aeroporto de Lisboa

Devia ter embarcado com as duas filhas às 6.00 com destino a Marselha, mas quando apresentou o resultado negativo à covid-19, a companhia aérea não aceitou porque no documento indicava que tinha feito um teste rápido quando na realidade fez um PCR. Ao DN, o laboratório reconhece erro.

Tinha voo às 6.00 desta segunda-feira para Marselha, França, onde reside, e embora tivesse apresentado um resultado negativo à covid-19 a companhia aérea não a deixou embarcar porque no documento que Sara Madeira apresentou estava escrito que tinha feito um teste rápido quando na realidade realizou um PCR (recolhe a amostra do exsudado da nasofaringe através de zaragatoa). Resultado: esta passageira e as duas filhas, de 2 e 4 anos, perderam o voo. Ao DN, o laboratório reconhece o erro, tendo realizado outro teste de diagnóstico PCR à passageira e pago os bilhetes de avião para um novo voo, marcado para as 16.00.

A história de Sara Moreira começa, no entanto, na sexta-feira quando se deslocou ao Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, para embarcar com as duas filhas para França. Comprou as passagens há cerca de um mês antes do agravamento da pandemia e de novas restrições.

Sabendo ser obrigatório apresentar um resultado negativo à presença de SARS-CoV-2 para seguir viagem, Sara Madeira conta que tentou marcar um teste, mas não conseguiu, nem para teste rápido nem para teste PCR.

Lamenta que não haja praticamente "informação nenhuma a dizer que há um posto de testes" no aeroporto, facto que desconhecia. Sem teste negativo obrigatório ainda tentou embarcar. "Não fiz check in porque não tinha mala para o porão e a informação não é logo dada. Eu fui, passei as malas e fui até à boca do avião", lembra. Só nessa altura é que que lhe pediram o teste negativo à covid-19.

Como estava há quase quatro horas no aeroporto, continua a relatar, "podia ter feito um teste rápido. "Penso que sexta-feira ainda era admitido, mas ninguém me abordou". Certo é que não seguiu viagem. "Na sexta-feira não consegui viajar com as meninas, fui a correr para ver se era possível fazer um teste rápido antes de viajar, mas disseram-me que não por que era preciso ser realizado quatro horas antes do voo, mas essa informação não está em lado nenhum", lamenta.

Sara Madeira conta que "como não tinha sido obrigatório pelo governo francês o teste PCR", uma medida que, recorda, só entrou em vigor no domingo, "havia sempre a possibilidade de ir com um teste rápido, que não foi proposto por que ninguém me abordou, passei as portas até ao avião à-vontade e achei que não era preciso porque caso contrário tinham-me abordado antes".

No laboratório do aeroporto informaram então que não era possível um teste rápido na sexta-feira porque só é admitido quatro horas antes do voo, que tinha sido remarcado para esta segunda às 6:00 horas. "Não podia estar cá a essa hora. Então fiz um PCR, paguei pelo teste no laboratório do aeroporto, Synlab. Fiz na sexta-feira e marquei logo a viagem para hoje de modo a ter tudo pronto".

Refira-se que um teste PCR custa 100 euros e o teste rápido cerca de 20 euros.

Foi para casa, os resultados foram pedidos com urgência. Sem nenhuma resposta ao longo do fim de semana tentou entrar contacto com o laboratório por email e telefone, mas sem sucesso. "Só consegui através das redes sociais". Só depois das 22.00 de domingo obteve uma resposta com a indicação de que teria o resultado dentro de uma hora e foi o que aconteceu, já próximo da meia-noite quando tinha um voo marcado para as 6.00 do dia seguinte, lembra.

Com o resultado negativo, apresentou o documento à Ryanair, que não a deixou embarcar, porque estava descrito que se tratava de um teste rápido antigénio. "Não paguei por isso, mas é o que está marcado no papel".

Laboratório admite erro e lamenta o sucedido

Estando o Synlab no aeroporto, Sara Madeira dirigiu-se logo ao laboratório para explicar o que se estava a passar. Falou com os responsáveis para lhe "darem uma resposta ou solucionar o problema. O aeroporto não se responsabiliza e as companhias aéreas também não". Teve de fazer novo teste PCR, cujos custos foram suportados pelo laboratório, que pagou igualmente os bilhetes de avião para um novo voo, marcado para esta tarde. Mas desta vez com destino a Nice. "Fica a hora/ hora meia de carro", diz, referindo que consegue que o pai das filhas a vá buscar.

"Tinha consultas médicas que perdi, por estar cá desde sexta-feira. Hoje tive a situação que tive às cinco da manhã", diz, embora já aliviada por poder embarcar com as duas filhas menores para França.

A situação acabou por ser resolvida, com o "responsável operacional do laboratório, depois de muita insistência, a dirigir-se ao aeroporto". "Veio cá ter por que lhe disse que não fazia sentido nenhum estarmos a pagar mais viagens e ele acabou de pagar as passagens para hoje às 16 horas".

"Houve na realidade um engano que lamentamos e foi dado um resultado de um teste rápido e não o teste PCR", assume ao DN Laura Bruno, responsável médica do laboratório Synlab.

Não foi um erro técnico, mas sim administrativo, explica laboratório

Novo teste PCR foi feito à passageira, estando a colheita em processamento, e o resultado estará pronto a tempo para que possa embarcar esta tarde, refere o laboratório. Admitindo o "incómodo" causado e a responsabilidade por Sara Madeira e as filhas terem ficado horas
à espera no aeroporto, o laboratório tentou "minorar a situação", pagou nova viagem a esta família, além das despesas de alimentação até à hora do embarque.

Explicaram-nos que se tratou de um erro no pedido. Ou seja, não foi um erro técnico, mas sim administrativo. O pedido que chegou ao laboratório foi de um teste rápido e não de um teste PCR e daí o engano que levou Sara a esperar horas para que pudesse finalmente embarcar rumo a França com as duas filhas.

Situação resolvida, mas Sara Madeira lamenta o facto de não "encontrar alguém que se responsabilize sem que uma pessoa tenha de discutir e de estar a ligar de 10 em 10 minutos".

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