Eleições, pressão e novo aperto. E uma Taça para Amorim

Os números assustadores da pandemia não deram tréguas aos portugueses, na semana em que Marcelo foi reeleito e em que o Sporting conquistou o primeiro troféu com o treinador dos 10 milhões ao leme.

Sábado, 23 de janeiro

O treinador dos dez milhões continua em estado de graça

Está a correr bem a aposta feita pelo Sporting em contratar Rúben Amorim ao Sp. Braga. E não foi uma aposta fácil. Gastar dez milhões de euros num jovem treinador foi um investimento sério e sem precedentes em Portugal. Mas os frutos começam a aparecer, agora já concretizados em troféus com a conquista da Taça da Liga (a que se junta a liderança isolada do campeonato). Ao mesmo tempo, estão a crescer na primeira equipa jogadores vindos da formação, que podem render boas transferências no futuro. E outros recrutados no mercado interno estão a afirmar-se, com Pedro Gonçalves à cabeça, mais baratos e já conhecedores da realidade da I Liga. O Sporting teve de se ajustar ao que a carteira permite. Uma questão de bom senso que está a dar proveitos.

Domingo, 24 de janeiro

Marcelo sem surpresa, direita em mudança

Foi uma vitória clara de Marcelo. Apesar do aumento já esperado da abstenção, venceu em todos os 308 concelhos (feito inédito), não tendo, porém, ultrapassado os resultados de Mário Soares (1991) e Ramalho Eanes (1976). A noite eleitoral mostrou ainda outro vencedor, André Ventura, que ameaçou o segundo lugar de Ana Gomes e aproveitou o resultado para fazer a ponte para as legislativas, avisando o PSD de que, doravante, "não haverá governo sem o Chega". Certo é que o popular Marcelo, que no domingo à noite fez saber que jantou um bife com ovo a cavalo, arroz e salada de tomate, também vai ter no discurso populista de Ventura um desafio constante ao longo do segundo mandato.

Segunda, 25 de janeiro

Cenário em aberto: transferir doentes para o estrangeiro

Num dia em que os internamentos em Portugal voltaram a bater recordes, com mais 303 pessoas a serem hospitalizadas com covid-19 em 24 horas, elevando o total para 6420, a ministra da Saúde deixou em aberto a hipótese de Portugal enviar doentes para o estrangeiro. Marcelo foi lesto em dizer que "não há, neste instante, razão que determine uma ideia de alarme social quanto à necessidade de recurso a ajuda internacional". Mas se as medidas do confinamento não produzirem efeitos rapidamente e as novas variantes do vírus continuarem a ganhar volume, o cenário admitido pela ministra poderá tornar-se inevitável.

Terça, 26 de janeiro

A pressão sobre os hospitais nunca foi tão alta

A braços com um aumento súbito do número de doentes internados com covid-19 - uma subida da ordem dos 400% desde o início do ano -, o hospital Amadora-Sintra viu-se obrigado a transferir mais 50 pacientes para outras unidades "com vista a garantir a diminuição do número de doentes internados a quem é necessário administrar oxigénio em alto débito", após "um conjunto de constrangimentos na rede de fornecimento". "Um excesso de consumo face àquilo que era a capacidade do sistema", clarificou a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, que demonstra bem a pressão a que os hospitais estão sujeitos nesta altura.

Quarta, 27 de janeiro

Decreto clarifica: medidas do ensino valem para todos

O fecho das escolas para pausa letiva, sem possibilidade de se equacionar o ensino à distância, mesmo que alguns estabelecimentos (principalmente privados, mas também públicos) fossem capazes de pôr o sistema a funcionar de imediato, foi um tema bem explorado pela oposição. Rui Rio, por exemplo, considerou que era "uma medida totalitária de perfil marxista", e ao coro de críticas juntou-se Maria de Lurdes Rodrigues, ex-ministra da Educação socialista. A controvérsia fez o governo atalhar caminho e, no dia 8 de fevereiro, regressa o sistema que milhões de alunos e pais conheceram no primeiro confinamento. O novo decreto do estado de emergência, conhecido nesta quarta-feira, clarificou que as medidas determinadas pelo governo são válidas para todos, seja o ensino público, privado, social ou cooperativo.

Quinta, 28 de janeiro

Mais covid, mais restrições, mais confinamento...

Escolas e creches encerradas; regresso do ensino à distância; processo de contratação de médicos e enfermeiros estrangeiros facilitado; limitação das deslocações para fora de Portugal; reposição do controlo de fronteiras terrestres. As medidas decididas em Conselho de Ministros, após a aprovação do décimo estado de emergência, apertam ainda mais as restrições aplicadas aos portugueses dada a agressividade dos números da pandemia (303 mortos e mais de 16 mil casos neste dia). E, dirigindo-se ao país, Marcelo preparou caminho para um confinamento "ainda mais longo do que se esperava": "Não vale a pena fazer de conta. O que fizermos até março determinará a primavera, o verão e talvez o outono. Joga-se tudo nas próximas semanas, até março." Um pesadelo sem fim.

Sexta, 29 de janeiro

Eutanásia passou na AR. A palavra agora é do Presidente

Tal como esperado, o projeto de lei que despenaliza a morte medicamente assistida foi aprovado. O texto final resultou da junção dos cinco projetos já aprovados na generalidade (PS, BE, PAN, PEV e IL), sendo certo que ontem o número de votos a favor (136) foi superior ao que conseguiu o projeto do PS (128) a 20 de fevereiro de 2020. Uma maioria clara, com votos a favor de vários quadrantes políticos. Resta saber o que vai agora decidir Marcelo Rebelo de Sousa, que em 2018 garantia que a eventual utilização de "veto político não será uma afirmação de posições pessoais".

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