Dose de reforço reduziu risco de morte em seis vezes em doentes acima dos 80

Relatório das Linhas Vermelhas confirma que dose de reforço protege mais que esquema vacinal primário, mas alerta para um impacto de absentismo no trabalho e nas escolas, dado o número elevado de casos que o país está a registar e com tendência elevada de aumento.

O relatório de vacinação divulgado ontem pela Direção-geral da Saúde dá conta que no país já há 4 236 860 de pessoas com a dose de reforço contra a covid-19, e que 8 773 768 têm agora o esquema vacinal primário completo, duas doses. Neste momento, as faixas etárias mais protegidas são as que estão acima dos 55 anos, embora já haja indicação da DGS para que todas as faixas acima dos 18 anos recebam este reforço. Uma situação que é tanto mais importante quanto se sabe que esta dose de reforço está a diminuir o risco de mortalidade nas idades mais vulneráveis.

De acordo com o relatório das Linhas Vermelhas, elaborado pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo (INSA) e pela DGS, divulgado na sexta-feira à noite, as pessoas com um esquema vacinal completo tiveram um risco de morte 3 a 6 vezes menor do que as pessoas não vacinadas, entre o total de infetados em dezembro. Mas a proteção dada aos mais idosos é superior. Na população com 80 e mais anos, a dose de reforço reduziu o risco de morte por covid para "quase seis vezes em relação a quem tem o esquema vacinal primário completo".

A análise semanal aos diferentes indicadores revela ainda que a atual atividade epidémica do vírus SARS-CoV-2 "é de intensidade muito elevada e com tendência crescente a nível nacional". E os técnicos das autoridades de saúde fazem um alerta à sociedade, já que é "expectável um impacto em termos de absentismo escolar e laboral", dado o número elevados de casos que o país está a registar com tendência de aumento.

Mas não só. O relatório alerta para o facto do crescimento no número de caso ir ter também impacto na "pressão sobre todo o sistema de saúde e na mortalidade", recomendando mesmo à população "a manutenção das medidas de proteção individual e a intensificação da vacinação de reforço".

No que respeita à mortalidade específica por covid-19, o relatório específica que, neste momento, Portugal regista, em média a 14 dias, 37,6 óbitos por 1 000 000 habitantes, correspondendo este valor a uma classificação do impacto da pandemia como elevado, e que a tendência é de aumento.

Os indicadores avaliados revelam ainda que a variante Ómicron (BA.1) é a dominante em Portugal, tendo atingido uma proporção estimada máxima (93%), entre os dias 7 e 9 de janeiro de 2022. No entanto, e desde essa data, destaca o documento, "tem-se verificado um decréscimo da proporção de amostras positivas com "falha" na deteção do gene S (indicador de caso suspeito de BA.1), possivelmente relacionado com a entrada em circulação da linhagem BA.2 (também classificada como Omicron pela OMS)". Recorde-se que a OMS definiu três linhagens na variante Ómicron BA.1, BA.2 e BA.3, e quando há sobreposição de uma linhagem à outra isto quer dizer que a BA.2 "ainda é mais transmissível que a BA.1".

O relatório das Linhas Vermelhas desta semana indica também que o número de novos casos por 100 000 habitantes, acumulado nos últimos 14 dias, foi de 5 053 casos, mas com tendência crescente a nível nacional e em todas as regiões. A nível de faixas etárias o mesmo documento deixa outro alerta: "No grupo etário com idade superior ou igual a 65 anos, o número de novos casos de infeção por 100 000 habitantes, acumulado nos últimos 14 dias, foi de 1 764 casos, com tendência crescente a nível nacional".

Em relação ao número de internados em Unidades de Cuidados Intensivos no Continente há uma tendência estável, correspondendo a 60% (na semana anterior era de 64%) do valor crítico definido de 255 camas ocupadas. Quanto à proporção de testes positivos a nível nacional foi de 15,5% (na semana anterior foi de 14,0%), encontrando-se acima do limiar definido de 4,0% e com tendência crescente.

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