Diretores de serviços hospitalares pedem mais medidas para evitar novas ondas

Em tomada de posição conjunta, diretores apelam ainda ao reforço de meios humanos e materiais

Os diretores de serviços de doenças infecciosas dos maiores hospitais do país sugerem ao Governo que prepare um plano e adote medidas robustas que permitam evitar sucessivas ondas epidémicas e apelam ao reforço de meios humanos e materiais.

Numa tomada de posição conjunta, a propósito da pandemia de covid-19, os diretores dos Serviços de Doenças Infecciosas dos maiores hospitais portugueses e do Colégio da Especialidade de Doenças Infecciosas da Ordem dos Médicos, sugeriram esta sexta-feira ao Governo que o início desde já a preparação de um plano que permita evitar sucessivas ondas epidémicas.

Os diretores pedem ao Governo, em particular ao ministério da Saúde, que adote medidas "mais robustas" de contenção dos futuros focos emergentes.

Reconhecem a gravidade da situação sanitária, que está a colocar uma enorme pressão sobre os serviços de saúde, mas consideram essencial um reforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em meios humanos e materiais.

Na posição, aconselham também ao Governo uma "modificação profunda do modelo atual de comunicação em saúde adotado pelos principais responsáveis, que esgotou totalmente as suas potencialidades e já não consegue mobilizar os portugueses".

Os responsáveis dizem estar solidários com todos os profissionais de saúde e lançam o repto a todos os médicos, das diferentes especialidades, para que à semelhança do que sucedeu na primeira vaga, não abandonem os colegas que estão na primeira linha.

Na tomada de posição, dizem também estar preocupados com o impacto da pandemia na formação médica pré e pós-graduada.

Os diretores sublinham também o seu apoio a todas as "medidas de confinamento que maximizem o efeito protetor conferido pelo distanciamento social, mesmo as que têm maior impacto na economia, pois o tempo atual é o da saúde que, se for bem-sucedido, poderá contribuir para a desejada recuperação económica".

No que diz respeito à campanha de vacinação contra a SARS-Cov-2, os responsáveis dizem estar satisfeitos, mas consideram que as prioridades que foram definidas devem ser reavaliadas e eventualmente alteradas.

Lançam ainda um repto a toda a população para seguirem as medidas de prevenção preconizadas pela Direção-Geral da Saúde e deixam uma mensagem de esperança "com a certeza de que esta, como anteriores pandemias, também será debelada".

Os signatários da posição sublinham ainda que o objetivo da tomada de posição pretende ser um apelo e um alerta para a melhor saúde para os portugueses.

A tomada de posição é assinada pelo diretor do Serviço de Doenças Infecciosas do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte, Álvaro Ayres Pereira, o diretor do Serviço de Doenças Infecciosas do Centro Hospitalar Universitário de S. João, António Sarmento, e o presidente do Colégio da Especialidade de Doenças Infecciosas da Ordem dos Médicos, António Vieira.

Assinam também a posição Fernando Maltez, diretor do Serviço de Doenças Infeciosas do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Kamal Mansinho, diretor do Serviço de Doenças Infeciosas do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Ocidental, Rui Sarmento e Castro, diretor do Serviço de Doenças Infeciosas do Centro Hospitalar Universitário do Porto, e Saraiva da Cunha, diretor do Serviço de Doenças Infeciosas do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra.

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