Diretora do ACES do Porto Oriental demite-se após "vacinação aberta" indevida

Dulce Pinto organizou uma "vacinação aberta" para jovens ainda não elegíveis para vacinação contra a covid-19 no Centro de Vacinação do Cerco na quarta e quinta-feira

A diretora do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Porto Oriental apresentou esta sexta-feira a demissão após ter organizado uma "vacinação aberta" para jovens ainda não elegíveis para vacinação contra a covid-19 no Centro de Vacinação do Cerco na quarta e quinta-feira.

De acordo com um comunicado enviado pelo Ministério da Saúde às redações, Dulce Pinto apresentou um "pedido de cessação de funções" do cargo de diretora executiva do ACES do Porto Oriental.

A Administração Regional de Saúde do Norte informou ainda do pedido de cessação de funções, apresentado ao Conselho Diretivo daquela ARS, pela diretora executiva do Agrupamento de Centros de Saúde do Grande Porto VI -- Porto Oriental, adianta o Ministério de Marta Temido.

Esta demissão surge após a instauração de um inquérito pela Administração Regional de Saúde do Norte e da denúncia do caso pela task force para a vacinação à Polícia Judiciária e à Inspeção-Geral de Saúde.

Um número indeterminado de pessoas sem os requisitos exigíveis nesta ocasião terá recebido vacinas na zona do ACES do Porto Oriental, num caso que chegou ao conhecimento da task force na quinta-feira.

Em comunicado remetido à agência Lusa, a estrutura liderada por Gouveia e Melo refere que a situação "indicia a prática de atos contrários nas normas e instruções em vigor", adiantando que a Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-N) já abriu um processo de inquérito para apurar o sucedido.

A task force recorda, no comunicado enviado à Lusa, que "atualmente estão a ser vacinados, por agendamento central, por auto agendamento ou por agendamento local, os utentes com idade igual ou superior a 30 anos e, na modalidade casa aberta, utentes com idade igual ou superior de 50 anos".

Acrescenta que "não está prevista a vacinação de utentes abaixo das faixas etárias atualmente previstas, exceto utentes com as comorbilidades definidas na norma número 002/2021 da Direção-Geral da Saúde ou outras exceções definidas na mesma norma".

A vacinação alegadamente ilegítima foi publicitada numa rede social pela Junta de Freguesia de Campanhã, na zona oriental do Porto, mas fonte autorizada da autarquia disse que se limitou a publicitar a iniciativa a pedido do ACES da zona, exatamente nos termos solicitados.

Segundo a Direção-Geral da Saúde, já há perto de três milhões de portugueses com a vacinação completa contra a covid-19, o equivalente a 29% da população.

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